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quarta-feira, 7 de março de 2012

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John Mayall's Blues Breakers With Eric Clapton | John Mayall's Blues Breakers (1966)



John Mayall's Blues Breakers é a banda pioneira do blues britânico, liderada, é claro, pelo cantor, compositor e multi-instrumentista John Mayall. O grupo foi formado em 1963, e durante toda sua carreira teve diversas formações diferentes, chegando a contar com contribuições de mais de 100 músicos ao todo.

Eric Clapton, que havia deixado os Yardbirds para se dedicar mais ao blues, se juntou à banda em 1965 e trouxe o ritmo do sul dos Estados Unidos para o primeiro plano do grupo. Em 1966, foi lançado John Mayall's Blues Breakers With Eric Clapton, que chegou ao top ten das paradas britânicas.


O livro diz que:
Na época em que John Mayall's Blues Breakers With Eric Clapton foi lançado, começaram a aparecer pichações em Londres que decretavam: "Clapton é Deus". Qualquer um que duvide da capacidade de Clapton como bluesman deve escutar esse abrasador disco de 1966, que incendiou a cena musical britânica.




Concluindo
Eu não sei qual é a distância entre o Mississipi e Londres. Mas John Mayall's Blues Breakers With Eric Clapton faz essa distância parecer bem, bem pequena.

Sem a menor sombra de dúvida, este disco é um dos melhores que já ouvi desde que este desafio começou. É blues da melhor qualidade. Seja nas variações rítmicas de "All Your Love" e "Hideaway" ou na pegada mais rock'n'roll de "Little Girl", John Mayall e sua banda não ficam devendo em nada aos grandes bluesmen americanos. O solo de bateria em "What'd I Say" é fantástico. E "Another Man", em que se ouve apenas vocais, palmas e uma gaita, é blues no seu estado mais puro.

E não dá pra falar sobre este disco sem falar sobre Eric Clapton. Ele merece um parágrafo só dele pra fechar este post.

Eu não sei se existe uma espécie de Monte Olimpo para os deuses da guitarra. Mas se existe, com certeza Etic Clapton tem um lugar de destaque por lá. Ele tinha só 21 (sim, vinte-e-um!) anos quando este disco foi gravado, e já era um puta de um bluesman. É absurdo o que ele faz com a guitarra. Mais absurdo ainda é pensar no quanto ele ainda evoluiria musicalmente depois deste disco. Indeed, Clapton is God.



terça-feira, 6 de março de 2012

The Psychedelic Sounds Of The 13th Floor Elevators | The 13th Floor Elevators (1966)



Sim, eu já conhecia The 13th Floor Elevators. Uma música, mas conhecia. Adivinha de onde?



Pois é! Mais uma vez, Rob Gordon (que no livro é Flemming) dá as caras por aqui. Não podia ter música melhor pro começo desse filme.

(E mais uma vez eu digo: se você ainda não assistiu High Fidelity, assista. Agora! Mentira, pode terminar de ler o post, e aí depois você assiste.)



The 13th Floor Elevators, banda formada no Texas nos anos 60, é conhecida por muitos como a pioneira do rock psicodélico. As ideias alucinadas de seu líder, Roky Erickson, deram ao grupo fama de transgressor. E nem poderia ser diferente em uma terra tão conservadora e religiosa como o Texas dos anos 60.

Roky Erickson é uma daquelas figuras lendárias do rock. Influenciado pela mãe, que cantava no coro de uma igreja local, antes mesmo de ser alfabetizado começou a ter aulas de piano. Aos 18 anos, compôs "You're Gonna Miss Me" e resolveu montar sua própria banda, The Spades. Quando conheceu a banda The Ligsmen, de Stacy Sutherland, resolveu que queria tocar com eles, e assim nascia o 13th Floor Elevators.

A banda teve diversos problemas com a polícia por conta de seu envolvimento com drogas, chegando a ter todos os seus equipamentos destruídos em uma ocasião.Roky Erickson chegou a ser preso e passou 3 anos em um hospital psiquiátrico, após alegar insanidade mental para fugir de uma prisão convencional.


O livro diz que:
Ao promover abertamente os benefícios dos alucinógenos na capa do disco, a banda nunca se tornaria querida pelas autoridades; a polícia do Texas chegou a desmantelar o equipamento do grupo à procura de drogas. "A busca pela sanidade em seu estado mais puro... forma a base das músicas deste álbum", diz a contracapa, mas a mistura de rock de garagem com R&B nele contida é tudo, menos saudável.




Concluindo

O álbum já começa com a sensacional "You're Gonna Miss Me" - na minha opinião, a melhor faixa do disco. Merecem destaque também "Roller Coaster", com suas variações rítmicas remetendo a uma montanha-russa de fato, e "Fire Engine", com suas reproduções vocais de uma sirene. Mas todas as 11 faixas são muito boas. O vocal de Roky Erickson dá força às canções, não dá pra negar. E o jarro amplificado de Tommy Hall - uma das características do grupo, aliás - ajuda a dar o tom de psicodelia que a banda estava buscando. 

Olha... Esse disco do 13th Floor Elevators era tudo que eu estava precisando hoje. Rock'n'roll da melhor qualidade!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Parsley, Sage, Rosemary and Thyme | Simon And Garfunkel (1966)



Momento história bonitinha aqui no Mil e Um: Paul Simon e Art Garfunkel, dois filhos da comunidade judaica do bairro do Brooklyn, em New York, se conheceram na escola, em 1953, quando faziam uma encenação de Alice No País Das Maravilhas. Simon era o Coelho Branco e Garfunkel era o Gato de Cheshire.

Começaram a compôr juntos em 1955, em 1957 fizeram sua primeira gravação profissional, "Hey Schoolgirl", quando ainda se apresentavam sob o nome de Tom and Jerry. A dupla se separou por um tempo, quando os rapazes foram para a faculdade. Mas, em 1963, já estavam juntos novamente.

Parsley, Sage, Rosemary And Thyme é o terceiro disco da dupla, lançado em 1966. O nome vem da faixa de abertura, "Scarborough Fair/Canticle", uma canção folk inglesa do século 16.

O livro diz que:
Se o álbum anterior, Sounds Of Silence, foi uma obra feita às pressas para atender ao desejo da gravadora de capitalizar o sucesso da faixa-título, Simon, desta vez, exigiu total controle, o que explica o trabalho brilhante e detalhista realizado pelo engenheiro de som Roy Halee.




Concluindo
Sabe aqueles discos que você ouve e se imagina dirigindo numa estrada linda, cheia de verde, num dia ensolarado? Parsley, Sage, Rosemary And Thyme é assim pra mim.

O disco é muito bom. Une arranjos sofisticados a melodias vocais bem elaboradas (e que, ao contrário dos Byrds, não irritam! \o/). As faixas são curtas (só uma delas ultrapassa os 3 minutos de duração) e concisas. A música de abertura, "Scarborough Fair/Canticle", não fica devendo em nada às canções de Brian Wilson. Gostei muito também de "The 59th Bridge Song (Feelin' Groovy)", "The Dangling Conversation" e "For Emily, Wherever I May Find Her".

Aftermath | The Rolling Stones (1966)



Aftermath  é o quarto álbum de disco dos Rolling Stones, e o primeiro da banda gravado inteiramente nos Estados Unidos, no lendário RCA Studios. É considerado um grande avanço artístico para o grupo, pois foi o primeiro disco só com composições da dupla Mick Jagger/Keith Richards.

Uma curiosidade sobre Aftermath é o fato de que Brian Jones toca, além da guitarra, uma variedade de instrumentos não tão comuns ao rock'n'roll, como a cítara, marimba e um tal de appalachian dulcimer (se você, assim como eu, também não faz a menor ideia do que seja isso, é só clicar aqui). O produtor Andrew Oldham fez o seguinte comentário:

                    "As contribuições de Brian Jones podem ser ouvidas em todas essas faixas gravadas no RCA. O que aquele cara não conseguia tocar, ele saía e aprendia. Você podia ouvir as 'cores' que ele encaixou em 'Lady Jane' e 'Paint It Black'".

O livro diz que:
Aftermath, ao contrário, era um álbum de verdade, sem sobras de gravações. Nele, os Stones expandiam seus limites - literalmente, no caso de "Goin' Home", ou de forma mais elaborada, em canções experimentais.




Concluindo
Nos anos 60, a coisa funcionava assim: os Beatles eram os mocinhos, e os Stones eram os bad guys do rock'n'roll. Acho que Aftermath veio, de uma certa forma,  pra consolidar essa imagem. Afinal, os Stones não tiveram medo de tocar em um assunto delicado como donas de casa viciadas em remédios em "Mother's Little Helper", nem de soarem um pouquinho machistas em "Under My Thumb".

Confesso que o álbum segurou mais a minha atenção até a faixa 6, "Goin' Home", um rock totalmente experimental de mais de 11 minutos. Merece destaque também "Lady Jane", uma balada elizabetana ao som do appalachian dulcimer de Brian Jones. Aliás, acho que é a criatividade de Jones e os novos instrumentos que ele agrega às canções que dão força às músicas. O disco é bom, vale a pena ouvir, mas, na minha opinião, ainda existem coisas mais bacanas dos Stones.

domingo, 4 de março de 2012

Freak Out! | The Mothers Of Invention (1966)



Em 1965, um novo guitarrista se juntou à banda já existente Soul Giants, e logo assumiu a liderança da mesma, convencendo os outros músicos a tocar composições próprias para que pudessem aumentar suas chances de conseguir um contrato de gravação. Assim, em pleno Dia das Mães nos EUA, a banda mudou seu nome para The Mothers. No início de 1966, o produtor Tom Wilson se interessou pelos Mothers e assinou o grupo com a Verve Records, uma divisão da MGM. Após uma certa pressão da gravadora, a banda mudou de nome, e assim nascia o The Mothers Of Invention.

Aquele guitarrista citado lá no começo do texto trata-se de Frank Zappa. É impossível falar sobre a história do rock, e da música de uma forma geral, sem falar de Zappa.



Frank Vincent Zappa é um daqueles caras que, como costuma se dizer por aí, "joga nas onze". Começou a compôr música clássica ainda no ensino médio, e em seus mais de 30 anos de carreira, se aventurou ainda pelo rock, jazz e música eletrônica e produziu quase todos os 60 álbuns que lançou com o Mothers Of Invention. E, no meio disso tudo, ainda achou tempo para desenhar algumas capas de seus álbuns e também dirigir longas metragens e videoclipes. Até hoje, Zappa é considerado um dos guitarristas mais originais de todos os tempos, influenciado músicos e compositores. Por essas e outras que ele é considerado um dos artistas mais produtivos e prolíficos da história.

Freak Out! é o primeiro disco da The Mothers Of Invention,  e o segundo álbum duplo da história da música.  Mistura rock, R&B, doo-woop, música erudita, colagens de sons experimentais e humor. A maior parte do material é de autoria de Zappa, mas os outros integrantes da banda também contribuíram.

O livro diz que:
Nascidos no coração da florescente cultura freak da Costa Oeste e contratados pelo produtor Tom Wilson, Zappa e sua banda decidiram fundir cabeças na sua estréia. E mais, o disco tinha um propósito. "Cada música tinha uma função, dentro de um conceito totalmente satírico", disse Zappa.




Concluindo
Eu pensei, de início, em classificar esse disco como uma obra Dadaísta. Uma coisa meio nonsense, sem pé nem cabeça. Mas, ouvindo com mais calma e atenção, percebi que não é esse o caso.

O disco mistura um som cru com arranjos sofisticados e letras divertidas que criticam a sociedade americana.  Tem muito, muito, muito experimentalismo, mas é uma experimentação focada, que não se perde, que não é - nem de longe - vazia. Ouvindo o disco, você nota que tudo aquilo que parece experimentação foi, na verdade, muito bem pensado por Zappa e seus companheiros de banda.

No primeiro disco (ou, pra quem está ouvindo em MP3 como eu, até a faixa 11), os Mothers misturam o rock com R&B, alguns elementos de blues, um pouquinho de arranjos de orquestra e alguns sons experimentais. As baladas "pseudo-românticas" "Go Cry On Somebody Else's Shoulder" (um belo de um passa-fora que com certeza você já teve vontade de dar em alguém), "You're Probably Wondering Why I'm Here", "Any Way The Wind Blows" e "How Could I Be Such a Fool" são simplesmente geniais! "Hungry Freaks" faz uma ácida crítica ao American Way Of Life e é em "Who Are The Brain Police?" que a banda começa a brincar com a experimentação.

É no segundo disco (a partir da faixa 12) que os Mothers resolvem experimentar de vez. "Help, I'm a Rock" me lembrou um pouco "A Love Supreme" do Coltrane, guardadas as devidas proporções jazzísticas e roqueiras. Em "It Can't Happen Here", a banda mescla o jazz a vocalizações. O álbum termina com "Return Of The Son Of The Monster Magnet", faixa que começa com um diálogo de Zappa com Susie Creamcheese e se estende por mais de 12 minutos de puro rock experimental (e que remete um pouco às músicas do Beck, principalmente dos primeiros discos).

Tudo isso faz de Freak Out! um disco diferente, divertido, marcante, enfim... Genial! Vindo de Frank Zappa, não havia como ser diferente.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Midnight Ride | Paul Revere And The Raiders (1966)



Paul Revere And The Raiders é uma banda norte-americana que fez sucesso na segunda metade dos anos 60, competindo - digamos - com os Byrds e os Beach Boys. Midnight Ride é o quinto álbum de estúdio da banda, ganhou disco de ouro e chegou ao 9° lugar na parada da revista Billboard. A maior parte das faixas foi composta pelos integrantes da banda.

A música "Kicks", maior sucesso do grupo, considerada uma das 500 Melhores Músicas de Todos os Tempos pela revista Rolling Stone, faz parte deste disco.


O livro diz que:
... em 1966, o rugido que era a marca registrada do vocalista e líder Marc Lindsay em "Louie, Go Home" soava tão feroz como o de Eric Burdon, dos Animals, ou o de Van Morisson, do Them, e influenciou de forma significativa Roger Daltrey, do The Who. E, musicalmente, tudo se encaixou de maneira perfeita em Midnight Ride, com nove canções compostas pela banda. As músicas restantes são, talvez, dois dos melhores singles dos anos 60. "Kicks", de Barry Mann e Cynthia Weill, é uma pungente advertência contra as drogas que, no entanto, trata o cérebro da pessoa como se já estivesse reduzido a uma pasta. Um clássico do garage, "I'm Not Your Stepping Stone" (de Tommy Boyce e Bobby Hart), seria, mais tarde, gravado pelos Monkees, mas esta versão foi a que inspirou a dos Sex Pistols.








Concluindo
Então, vamos a mais um dos casos em que eu discordo do livro...

Assim... não é que o disco seja de todo mal. "Kicks" e "I'm Not Your Stepping Stone" são bem legais, bem perto daquilo que se poderia chamar de primórdios do punk rock (curiosamente, são as duas faixas que não foram compostas pela banda). Mas aí tem "Little Girl In The 4th Room", que tem um quê de baladinha dos Beach Boys. Mesmo caso de "All I Really Need Is You", que intercala o estilo Beach Boys com uma pegada um pouquinho oriental. E o disco termina com "Melody For An Unknown Girl", música com total cara de bailinho em que o vocal aparece apenas com uma narração. Tudo isso junto soou meio sem pé nem cabeça pra mim. Fico com as duas faixas que citei no começo do parágrafo, e só.



Faltam 415 dias.
Faltam 933 discos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

If You Can Believe Your Eyes And Ears | The Mamas And The Papas (1966)



"All the leaves are broooooown/ And the sky is greeeeey...". Você pode até não saber quem são The Mamas And The Papas, mas eu tenho certeza que em algum momento da sua vida você já deve ter ouvido "California Dreamin'". Tô certa ou tô errada?

The Mamas And The Papas é um grupo vocal formado nos anos 60 nos Estados Unidos. Foram uma das únicas bandas norte-americanas a conseguir manter o sucesso durante a tal da "Invasão Britânica" (que citei no post anterior, by the way...). O sucesso do grupo se deve às belas harmonizações vocais e também à participação de seus integrantes na contracultura sessentista.

If You Can Believe Your Eyes And Ears é o primeiro disco da banda, e traz seus dois maiores sucessos: "Monday, Monday" e "California Dreamin'". Atingiu o primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos e ocupa o 127° lugar na lista dos 500 Melhores Discos de Todos os Tempos da revista Rolling Stone.


O livro diz que
Ao lado dos grandes sucessos estavam faixas que refletiam a busca pela liberdade pessoal, característica da época ("Go Where You Wanna Go"). A música que encerra o álbum, "The In Crowd", é uma sátira social altamente divertida ("If it's square, we ain't there"), mais tarde gravada de forma memorável pelo Roxy Music.






Concluindo
Bom, gente... Eu tenho algumas ressalvas com esse negócio de harmonias vocais, tanto que não curti os discos dos Byrds que tive que ouvir, por exemplo. Mas, toda regra tem sua exceção. E, digo pra vocês, é difícil não se render a The Mamas and The Papas. O som é gostosinho mesmo, e os vocais não me irritam, pelo contrário.

Sem dúvida, os destaques do disco são "Monday, Monday" e "California Dreamin'". Não foi à toa que estas faixas são, até hoje, os maiores sucessos do grupo. As harmonias vocais são levadas a um outro nível, e de repente você se vê imerso na música. Pra mim foi assim. 

P.S.: A voz da "Mama" Cass Elliot é uma das mais lindas da história da música. Pronto, falei!


Faltam 416 dias.
Faltam 934 discos.

Face To Face | The Kinks (1966)



The Kinks, a banda dos irmãos Dave e Ray Davies, surgiu na Inglaterra em 1964. São conhecidos nos Estados Unidos como uma das bandas da chamada "Invasão Britânica", e até hoje são considerados um dos grupos mais importantes e influentes de sua geração.

Entre meados dos anos 60 e começo dos anos 70, os Kinks lançaram diversos singles e LPs que foram sucesso de crítica e vendas. O grupo ficou conhecido por suas canções e álbuns conceituais que retratavam a cultura e o estilo de vida britânico da época, muito bem retratados pelo estilo observador de Ray Davies, principal compositor da banda. Face To Face é o primeiro disco dos Kinks a contar apenas com composições dele, e marca o florescimento pleno do uso da narrativa em suas canções, com comentários sociais nas letras.


O livro diz que:
Face To Face marcou uma mudança de atitude para Ray, seu irmão e guitarrista Dave, o baterista Mick Avory e o baixista Pete Quaife. Pela primeira vez, eles passaram meses trabalhando num disco, dublando as faixas durante várias sessões. O disco também marcou o fim da parceria com o produtor americano Shel Talmy, cujo método de trabalho bate-pronto não servia para arranjos mais elaborados.





Concluindo
The Kinks não era uma banda estranha pra mim. Acho que como muita gente eu comecei por "Lola" ("La la la la Lola... La la la la Lola..."), e depois fui conhecendo mais algumas músicas através de um CD com uma coletânea deles que eu comprei quando estava na faculdade e também de trilhas sonoras de filmes (High Fidelity é uma delas, claro). Mas eu confesso que durante muito tempo os Kinks eram pra mim os "outros garotos da Inglaterra", aqueles que não estouraram tanto quanto os Beatles, mas que também faziam um som legal.

Pois bem, ouvindo Face To Face passei a encarar os Kinks de uma outra forma. Acho que em termos de arranjos e melodias, o som deles não é nada de outro mundo. Veja bem, não disse que é ruim. É muito bom, só não achei nada de extraordinário. O disco conta com vários efeitinhos sonoros em algumas faixas: trovões em "Rainy Day In June", um telefone em "Party Line", ondas em "Holiday In Waikiki", algo que eu não tinha escutado em outros discos ainda e que achei até interessante, pois cria uma certa atomosfera pro ouvinte. O cravo (acho que cravo devia ser super cool nos anos 60, gente. The Byrds, Beach Boys, The Kinks...) aparece também em algumas músicas. 

Pra mim, o destaque fica mesmo por conta das letras do Ray Davies,  algo que, aliás, já havia me chamado a atenção desde que ouvi "Well Respected Man" na trilha sonora de Juno. Ray critica de uma forma bem humorada - e até um pouco sutil, eu diria - a sociedade britânica da época. E é isso que torna o disco legal de se ouvir. O destaque pra mim fica por conta de "Sunny Afternoon", em que Ray Davies faz uma crítica a um estilo de vida fútil, regrado pelo luxo. Bem bacana.




Faltam 416 dias.
Faltam 935 discos.

Xurumelas

Quarenta dias sem postar. É muito tempo, eu sei. Pra quem queria ouvir os 1001 discos em 500 dias pra não acumular muita coisa pra um dia só, é um atraso e tanto!

O que aconteceu foi que havia um final de ano conturbado no meio do caminho. Inferno astral (desculpaê quem não acredita, mas eu não apenas acredito como vivencio isso todos os anos. É um saco! Não tenho ânimo pra fazer absolutamente nada, ou seja...), falta de grana e aquela correria de sempre pra fazer as compras de Natal. Mas, calma, teve coisa boa também! Fiz uma viagem maravilhosa pra rever velhos amigos, fazer novos, tomar banho de mare me divertir muito. E teve o Natal e o Reveillon.

De verdade, leitores queridos, se eu tentasse postar em meio a tudo isso, não sairia nada de bom. Nos dias de inferno astral, acharia até Beatles e Bob Dylan sem graça. E nos dias de correria, por mais que eu ouvisse um puta disco, o post definitivamente não faria jus a ele, já que seria escrito com pressa.

Sendo assim, decidi tirar umas mini-férias do blog. Senti falta de escrever em alguns momentos, o número de acessos caiu muito, mas, se não é pra fazer bem feito, melhor não fazer. Essa é a minha filosofia.

Como podem ver, eu não desisti. Hoje volto às atividades do blog.

E vamo que vamo, que 2012 tem que render!


Faltam 416 dias.
Faltam 936 discos.