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sábado, 14 de abril de 2012

Mil e Um por aí



O Mil e Um não se resume apenas a este blog, não, querido leitor!

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Headquarters | The Monkees (1967)



"Procura-se quatro loucos entre 17 e 21 anos". Em 1965, produtores da NBC procuravam por músicos para um novo seriado, de onde surgiria uma banda que pudesse bater de frente com os Beatles. Quatrocentos e trinta e sete rapazes apareceram para os testes, e destes foram escolhidos apenas quatro: Mike Nesmith - um excelente compositor ligado ao country e à música folk -, o multi-instrumentista Peter Tork, Micky Dolenz, ex-astro mirim de uma série de TV e Davy Jones - que passou por todos os testes, apesar de já ter sido contratado antes pelo estúdio. Assim começa a trajetória do The Monkees.

Inicialmente, os quatro rapazes da NBC gravavam apenas como cantores, acompanhados de músicos de estúdio contratados pela gravadora. Acontece que em 1967 a banda, cansada de tanto controle, resolveu dar seu grito de liberdade e bateram o pé para que pudessem gravar um álbum autoral, com total liberdade de criação e onde pudessem atuar também como músicos. É nesse contexto que surge Headquarters, o terceiro disco dos Monkees.

O livro diz que:
Headquarters vendeu bem e, ao que parece, provou que a banda estava certa. Mas, a esta altura, discussões do tipo "são ou não são" não importavam mais. Autômatos ou autônomos, os Monkees eram um grande grupo com grandes músicas.





Concluindo
Os Monkees queriam provar para os hippies que zombavam deles na época que não eram marionetes, mas sim uma banda de rock. Acho que conseguiram.

Não acho que o disco se destaque tanto assim entre tudo aquilo que vinha sendo feito em termos de música na época. Não chega a ser uma grande novidade, não é recheado de experimentações com ritmos e instrumentos. É um disco pop, simples, e talvez por isso seja tão bacana e tenha dado tão certo. Num tempo em que tanta gente buscava a inovação, manter a simplicidade foi o grande diferencial dos meninos da NBC.

Gostei bastante da faixa de abertura do disco, "You Told Me". "For Pete's Sake" e "No Time" também são muito boas, mas o destaque do disco, pra mim, fica por conta de "Randy Scouse Git", música que fecha muito bem o álbum brincando com variações rítmicas. É, sem dúvida, a melhor faixa do disco.

Headquarters não faz dos Monkees verdadeiros gênios, mas mostra que os caras eram de fato músicos legítimos, com tanto cérebro, alma e coração quanto qualquer outra banda por aí. 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Triangle | The Beau Brummels (1967)



The Beau Brummels é uma banda de rock formada em São Francisco em 1964. Aparentemente, só haviam bandas de rock em São Francisco nesta época, porque dos últimos 5 discos que eu ouvi, acho que só 1 uma banda não era de lá.

Brincadeirinhas à parte, vamos ao que interessa.

Liderados por Ron Elliott e Sal Valentino, os Brummels foram descobertos pelo selo Autumn Records quando tocavam em clubes de São Francisco. Foi aí que começaram a fazer sucesso. Curiosamente, após assinarem com a Warner, caíram em um período de baixa popularidade.

Triangle é o quarto disco dos Beau Brummels, e é o primeiro da banda com músicas que Elliott e Valentino compuseram juntos. Embora não tenha ido bem nas vendas, foi muito elogiado pela crítica.

O livro diz que:
O talento de Elliott para compor amadureceu para além dos limites dos hits de dois minutos, enquanto o vocal de Sal Valentino chegava a um tom nasal e visceral, contrastando maravilhosamente com os arranjos sombrios que incluíam cordas, acordeão e espineta (esta, tocada em "Magic Hollow" por Brian Wilson, colaborador de Van Dyke Parks).




Concluindo
Olha, devo dizer que depois de ouvir tantos discos de rock experimental e psicodélico, Triangle  foi uma surpresa muito feliz. Tem uma pegada country bem forte. Gostei bastante de "Are You Happy?", faixa que abre o álbum. Gosto também da maneira como a banda insere cordas e um acordeão de um jeito bem sutil, sem fazer disso um "acontecimento". É um álbum totalmente despretensioso, e acho que é exatamente isso que o torna tão gostoso de ouvir. 


(Fui tão sucinta hoje, não?)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Da Capo | Love (1967)



Da Capo, expressão italiana que quer dizer "do início". Este é o nome do segundo disco da banda norte-americana Love, liderada pelo compositor, cantor e guitarrista Arthur Lee.

O Love surgiu em 1965, e em 66 assinaram com o selo Elektra Records. Alcançaram sucesso com uma versão de "My Little Red Book", de Burt Bacharach. Em 1967, lançaram Da Capo, disco com composições de Arthur Lee e Bryan MacLean, que até hoje é considerado um dos melhores discos dos anos 60.

O livro diz que:
O contraste entre a beleza sutil do primeiro lado e os excessos de "Revelation" fazem deste disco um dos mais esquizofrênicos de todos os tempos.




Concluindo
Quando eu estava ouvindo dos discos dos anos 50 que fazem parte do livro, chegou uma hora em que eu comecei a me cansar um pouco de ouvir tantos discos seguidos de jazz. Pois bem, o mesmo está acontecendo agora com os discos de rock psicodélico. Dá a sensação de que isso era a única coisa acontecendo na cena musical da época, quando na verdade não era. Mas o pior não é isso: talvez ouvindo um destes discos de rock psicodélico isoladamente, eu até gostasse mais de um ou de outro. Acontece que ouvir em sequência faz com que às vezes pareça tudo mais do mesmo e eu acabe não dando o merecido valor a um determinado álbum ou artista.

Enfim, passadas as considerações iniciais, vamos ao que interessa.

Eu curti Da Capo. Achei bacana a mistura de ritmos que a banda faz. Em "Stephanie Knows Who", brincam com variações de tempos do jazz, bem bacana. "7 & 7 Is", única música da banda a chegar ao top 40, tem um jeitão de rock de garagem, e na minha opinião é a melhor música do disco. Também gostei bastante de "Que Vida!" (não sei colocar aquele ponto de exclamação de ponta cabeça que se usa na língua espanhola, sorry!), uma baladinha com flautinha. Todas estas músicas fazem parte do lado A do disco (ou das primeiras seis faixas, pra quem ouve em CD e MP3).

Aí vem o lado B, composto por uma única faixa, "Revelation", uma música de 19 minutos. Sim, caro leitor, você não leu errado: são dezenove minutos de uma jam sem pé nem cabeça, entediante. Pra mim, deu uma boa derrubada no disco que vinha bem no lado A.

Na minha opinião, é como se o lado A e o lado B de Da Capo fossem dois discos totalmente diferentes. Na dúvida, melhor ficar só com as 6 faixas do lado A e deixar a psicodelia sem sentido do lado B pra lá.

Moby Grape | Moby Grape (1967)



Muitos críticos musicais consideram o Moby Grape como a melhor banda de rock que surgiu no cenário musical de São Francisco nos anos 60. Formada em setembro de 1966, a banda ficou conhecida pela contribuição de todos os integrantes nos vocais e pelas composições que mesclam rock, jazz, country, folk e blues.

O grupo foi descoberto num show em Sausalito pelo produtor da Columbia Records David Robinson, que ficou impressionado com o entrosamento e a habilidade dos seus cinco integrantes. O Moby Grape assinou com a gravadora, e de março a maio de 1967 gravou seu álbum de estreia, Moby Grape. A Columbia ficou tão impressionada com a qualidade do disco que lançou cinco singles do mesmo LP simultaneamente, o que matou as chances de que algum deles disparasse nas paradas e prejudicou muito as vendas do álbum. Além disso, a banda passou por vários problemas internos: dissidências entre os músicos, alguns integrantes presos por porte de drogas e por ligações com meninas menores de idade. Tudo isso levou a banda da ascensão à queda em apenas um ano. Apesar de tudo isso, Moby Grape ainda é considerado até hoje um dos melhores discos da história do rock.

O livro diz que:
A arrogância da gravadora, as intrigas do mundo do rock'n'roll e pura má sorte fizeram com que a estreila do Moby Grape ascendesse e caísse em apenas um ano. Mas seu álbum de estreia arrebentou.




Concluindo
Sabe aquela coisa de ficar se perguntando "E se...?"? Por exemplo: e se não tivessem matado o Che Guevara? E se não tivessem descoberto as falcatruas do presidente Nixon (será que ele teria sido reeleito "n" vezes como em Watchmen?)? E por aí vai...

Pois é. E se a Columbia não tivesse ferrado com o lançamento do disco de estreia do Moby Grape, se os caras não tivessem se desentendido, se envolvido com drogas e ninfetas? Seria que teriam uma carreira longa e próspera pela frente? Isso nós nunca saberemos ao certo. Mas se eu tivesse que dar um palpite, depois de ouvir Moby Grape minha resposta seria "sim, com certeza".

Não acho que o disco seja tão de outro mundo, como li em alguns lugares. Mas é muito, muito bom. Composições bacanas, músicos excelentes, o entrosamento da banda, tudo isso faz a diferença. Os destaques pra mim ficam por conta de "Sitting By The Window", "Hey Grandma", "Omaha" e "Indifference". É mesmo uma pena que tantas coisas tenham atrapalhado a carreira da banda, porque, sem dúvida, o Moby Grape ainda tinha muita lenha pra queimar.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Safe As Milk | Captain Beefheart And His Magic Band (1967)



Don Van Vilet era um cantor, mas também tocava harmônica e, às vezes, tocava sax de uma maneira totalmente sem didática, num estilo free jazz. Era também amigo de infância de Frank Zappa. Conhecido como Captain Beefheart, se uniu a então recém-formada banda Magic Band, e logo assumiu a liderança do grupo, que tinha suas raízes no blues e no rock.

Safe As Milk é o álbum de estreia da banda, e conta com a participação do lendário guitarrista Ry Cooder, então com 20 anos de idade.


O livro diz que:
Talvez o ar comportado que o Capitão e dua tripulação apresentam na capa não pareça revolucionário hoje, mas, em 1965 e 1966, enquanto o R&B inglês era a tendência musical do underground nos Estados Unidos, e os Beatles e o selo de música negra Tamla mandavam nas rádios, Safe As Milk era um must para os amantes da música experimental.

Don Van Vilet, a.k.a. Captain Beefheart


Concluindo
Eu tenho um certo receio desta palavra "experimental". É muito fácil classificar como experimental aquilo que é novo, ou inovador. Criar não deixa de ser uma forma de experimentar, eu sei. Mas aí a gente acaba jogando tudo num mesmo balaio com um rótulo de experimental, e talvez não seja bem assim. 

Não sei se "experimental" é bem a palavra pra descrever Safe As Milk. Freak Out!, pra mim, é um disco experimental. Já em Safe As Milk, eu achei as referências da banda tão, tão claras que não sei se dá pra encarar isso como experimentalismo. Você ouve rock, folk, blues e soul de uma maneira muito clara no disco, mesmo que, de certa forma, com uma roupagem nova. O que não desqualifica o álbum de forma alguma. Achei Safe As Milk um disco bem legal.

E qual não foi minha surpresa quando, no final das minhas pesquisas pra escrever o post, eu descobri que sim, já tinha ouvido falar desse disco? Adivinha onde?



segunda-feira, 19 de março de 2012

Buffalo Springfield Again | Buffalo Springfield (1967)



Talvez em algum filme em que a estória aconteça na década de 60 (um deles é Forrest Gump), você já tenha ouvido esta música:





"For What It's Worth" foi o hit com o qual a banda Buffalo Springfield estourou no final dos anos 60. O single vendeu milhões de cópias e se transformou em uma espécie de hino daquela época conturbada.

Formado em 1966, o Buffalo Springfield teve grande sucesso com sua mistura de country, rock e folk num som próprio. No entanto, devido a brigas internas, problemas com drogas e diversas mudanças de line-up, a vida do grupo foi curto, e menos de dois anos depois de seu surgimento, a banda já estava separada. Mesmo com uma vida tão curta, foi uma das maiores influências de seu tempo. Entre os músicos da banda estavam Neil Young e Stephen Stills, que mais tarde formariam o grupo Crosby, Stills, Nash & Young.

Buffalo Springfield Again é o segundo disco de estúdio da banda. Dizem que as gravações do álbum foram conturbadas, pois Neil Young estava quase sempre ausente e, além disso, o grupo tinha problemas para manter um baixista permantente (Bruce Palmer, o primeiro baixista da banda, passou a maior parte das sessões de gravação detido por problemas com drogas). Mesmo com estes problemas, o disco é considerado por muitos como o melhor da banda, e ocupa o 188° lugar na lista dos 500 Melhores Discos de Todos os Tempos da revista Rolling Stone.

O livro diz que:
A combinação das raízes folk-rock e country do Springfield com um rock mais pesado seria de grande influência para a próxima geração de grupos de rock da Costa Oeste - mais especificamente os Eagles.




Concluindo
Acho bacana como a banda mistura diversas referências musicais como o rock, o folk, o country, o jazz e o soul num mesmo disco sem perder sua identidade. Por mais que viajem em diversos gêneros, o toque da banda está sempre presente, e este é o grande diferencial deles.

O disco começa com a ótima e incendiária "Mr. Soul". Depois fica um pouco mais calmo, com a quase totalmente country "A Child's Claim To Fame" e "Everydays", que - na minha opinião - tem um pezinho no jazz. "Expecting To Fly" é uma faixa que, pra mim, tem a cara do Neil Young que eu conheço de "Harvest Moon" e outras. Em "Good Times Boy", o Buffalo experimenta um pouquinho de soul. O álbum termina com "Broken Arrow", uma piração de Neil Young que mistura efeitos sonoros e arranjos eruditos ao som característico da banda.

Tudo isto posto, não vou mentir: achei Buffalo Springfield Again um disco bem bacana, mas nada assim... de outro mundo. Entende?

quarta-feira, 14 de março de 2012

Electric Music For The Mind And Body | Country Joe And The Fish (1967)





Após um tempo servindo à Marinha, o militante de esquerda Joe McDonald (que foi batizado de Joseph por seus pais em homenagem a Stalin) chegou a São Francisco pra estudar, que na época era um celeiro de estudantes radicais movidos a drogas e política. Joe rapidamente se viu inserido no cenário folk do local, juntando-se à Instant Action Jug Band, que mais tarde mudou de nome para Country Joe And The Fish (nome que faz referência a Stalin e Mao).

Em 1967, teve início o Verão do Amor. Sua origem vem de uma passeata pela paz que aconteceu no dia 15 de abril em New York e reuniu astros do rock, romancistas premiados, professores rebeldes e pessoas simples da classe média norte-americana, num total de aproximadamente 300 mil pessoas. Depois disso, comunidades hippies começaram a surgir em diversas cidades dos Estados Unidos e Europa. A maios e mais importante delas foi a de Haight-Ashbury, em São Francisco, onde jovens que viviam ali temporariamente se expressavam através da música, das drogas e do amor livre. A oposição à Guerra do Vietnã foi um impulso para que inúmeras pessoas buscassem valores e estilos de vida alternativos.

Foi nesse contexto que Electric Music For The Mind And Body foi lançado. O movimento psicodélico ainda engatinhava, e o disco da banda de "Country" Joe McDonald e Barry "The Fish" Melton abriu caminho para muitos que ainda estavam por vir.

O livro diz que:
Entrelaçando humor ácido em seus ácidos ritmos, Electric Music... é um dos discos mais coerentes do Verão do Amor e da geração hippie; as guitarras alternam efeitos suaves e golpes no cérebro; as letras contêm ataques satíricos a Lyndon Johnson ("Superbird") e épicos resolutos sobre drogas ("Bass Strings"); há blues, folk e rock para todos os gostos. E, no rastro deste álbum, o humor do país, sua juventude e sua música  mudaram completamente. Nada mal.




Concluindo
Eu consigo imaginar claramente uma sala cheia de hippies viajando depois da última dose de LSD ou o que quer que seja enquanto escutam esse disco. O que não é ruim, considerando a época em que ele foi lançado. É quase como dizer que, sei lá, o disco cumpriu seu objetivo.

O som de Country Joe And The Fish é bem bacana. Os caras fazem blues do bom quando querem fazer, e também conseguem pirar de um jeito bem bacana. Algumas músicas, como "Flying High", "Sad Lonely Times", "Not So Sweet Martha Lorraine" e "Superbird" têm uma pegada mais pop. Outras, como "Bass Strings", "Grace" e "Section 43", são pura experimentação e psicodelia. Gostei bastante de "Death Sound Blues", que me fez pensar em filmes de western, não me perguntem porquê. Talvez tenha sido o som da meia-lua, que me lembrou também aquele chocalho da cobra cascavel. Vai ver eu entrei na vibe do Verão do Amor e viajei também.

Enfim, achei Electric Music For The Mind And Body um disco bem bacana. Gostei bastante da mistura de guitarras distorcidas com órgão. Vale a pena ouvir.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band | The Beatles (1967)



Reza a lenda que quando Paul McCartney ouviu Pet Sounds, dos Beach Boys, ele levou o álbum ao estúdio e disse: "Quero igual". Não sei se é verdade ou se é apenas mais um "causo" da história da música, mas não deixa de ser interessante - e totalmente compreensível.

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band foi gravado quando a Beatlemania passava por uma fase ruim. John Lennon havia declarado que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo, o que obviamente desagradou muita gente. Como consequência, a banda não foi bem recebida em várias cidades por onde passou, chegando a enfrentar tumultos na Filadélfia. Isso fez com que os integrantes decidissem se tornar uma banda de estúdio, e não mais sair em excursão.

O que para muitos críticos significava o fim da banda acabou se transformando em um dos melhores e mais importantes discos da história da música. Pela primeira vez em sua carreira, os Beatles tiveram mais tempo para dedicar à gravação de um álbum. Seus integrantes tinham desenvolvido outros interesses musicais, e puderam explorá-los em Sgt. Pepper's. As músicas incorporam diversas influências, e instrumentos novos, como o órgão hammond, a harpa e cítara aparecem em algumas canções.

Até hoje, 45 anos após seu lançamento, Sgt. Pepper's ainda é considerado um álbum inovador, desde suas técnicas de gravação até sua capa, desenhada pelo artista Peter Blake, unindo personalidades influentes (Marilyn Monroe, Cassius Clay, Marlon Brando, Karl Marx, Fred Astaire, Shirley Temple, Edgar Allan Poe, Lewis Carroll, Mae West, Oscar Wilde e muitos outros) a estátuas de cera dos Beatles.

A capa de Sgt. Pepper's é um dos principais elementos da "teoria da conspiração" que envolve a suposta morte de Paul McCartney. Há quem diga que a capa do disco representa um funeral, já que na parte inferior há o que parece ser uma tumba adornada por flores, com um contrabaixo (também feito de flores) com apenas três cordas, o que demonstra que falta um Beatle. Além disso, antes da música "With A Little Help From My Friends", ouve-se um coro introduzindo Billy Shears, que é o tal sósia que teria assumido o papel de Paul McCartney. Outra mensagem sobre a morte de Paul estaria na música "Lovely Rita", que fala sobre uma meter maid (inspetora de parquímetros): dizem que o baixista do Beatles teria morrido em um acidente de carro por não ter prestado atenção nas luzes do semáforo quando estava admirando uma meter maid.

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band vendeu 250.000 cópias na Grã-Bretanha apenas na primeira semana após seu lançamento, e chegou a ficar por cerca de 6 meses no primeiro lugar da lista dos discos mais vendidos. Além disso, foi o primeiro disco da história a ganhar os Grammys de Melhor Álbum do Ano, Melhor Álbum Contemporâneo, Melhor Capa e Melhor Engenharia de Som.


O livro diz que:
O álbum causou um impacto sem precedentes. As rádios o tocaram dias a fio. O crítico Kenneth Tynan, do The Times, o classificou como "um momento decisivo na história da civilização ocidental". Essa hipérbole já não se aplica, mas ficou um pop perfeito, no qual a ousadia e a música se mesclaram para sempre.




Concluindo
A primeira vez que ouvi Sgt. Pepper's foi quando eu tinha 16 anos. Meu amigo Nílbio Thé me emprestou a versão em CD. O Nílbio era uma das minhas companhias favoritas na sala de aula: passávamos aulas e mais aulas jogando o jogo dos pontinhos (aquele em que você tem que formar quadrados ligando os pontos) e falando sobre bons filmes e boa música. Foi o primeiro disco dos Beatles que eu ouvi inteiro, de cabo a rabo. Durante todo o tempo que o CD do Nílbio ficou comigo, ouvi esse disco inúmeras vezes. Até hoje, continua sendo um dos meus álbuns favoritos.

Não tem uma faixa sequer de Sgt. Pepper's que eu considere ruim, ou mais ou menos. Pra mim, o disco todo é excelente. Desde o animado início com "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" - que te convida a entrar no universo do álbum - até o desfecho com "A Day In The Life" e a incrível reprodução de uma espécie de decolagem ou aterrissagem de um avião.

"Lucy In The Sky With Diamonds" e "Fixing A Hole", são, sem a menor dúvida, uma viagem. Impossível não imaginar nem por um segundo que seja dentro de um barco num rio com árvores de tangerina e céus de marmelada. "With A Little Help From My Friends" é um hino sincero à amizade, sem pieguices (e que seria imortalizado por Joe Cocker em Woodstock). Em "She's Leaving Home", os vocais que remetem aos Beach Boys se unem em perfeita sintonia a um arranjo mais erudito, com instrumentos de corda e harpa. Os Beatles mostram que também sabem fazer jazz em "When I'm Sixty Four", um delicioso ragtime. E George Harrison (meu Beatle favorito!) manda ver nas influências indianas na sensacional "Within You Without You".

Sgt. Pepper's é um daqueles discos que eu sei que nunca vou me cansar de ouvir. E que sempre vai me causar o mesmo impacto de quando eu tinha 16 anos e o ouvi pela primeira vez. Acho que os Beatles transcenderam o conceito de uma mera obra musical, onde diversos gêneros e influências se encaixam perfeitamente, fazendo do disco uma verdadeira obra-prima.

Chelsea Gril | Nico (1967)



O que Lou Reed, Brian Jones, Jim Morrison, Iggy Pop, Bob Dylan e Alain Delon têm em comum? A Nico! Sim, sim, esta cantora, compositora, modelo e atriz alemã já teve um envolvimento amoroso com todos eles, que - exceto por Alain Delon - contribuíram em sua carreira musical.

Em meados dos anos 60, Andy Warhol, então empresário do Velvet Undergound, propôs ao grupo ter Nico como vocalista. A banda aceitou, com uma certa relutância, e Nico fez o vocal principal em 3 faixas do disco de estréia do grupo, The Velvet Undergound And Nico. Após a turnê, em 1967, Nico e a banda seguiram rumos diferentes, o que não impediu que Lou Reed  e John Cale tivessem um papel importante na carreira solo da cantora.

Em Chelsea Gril, seu disco de estréia, Nico gravou composições de Jackson Browne, Tim Hardin, Bob Dylan e, é claro, Lou Reed e John Cale. Acontece que, devido às interferências do produtor, Nico não gostou do resultado final do álbum, e disse o seguinte:

                    "Tudo o que queria no álbum foi retirado por eles. Pedi percussão, disseram que não. Pedi mais guitarras, disseram que não. Pedi simplicidade, e eles o encheram com flautas! Trouxeram cordas também; não gostava delas, porém, podia aguentá-las. Mas a flauta! A primeira vez que ouvi o álbum, chorei, e tudo por causa da flauta."


O livro diz que:
O público não estava preparado para as obras-primas experimentais do art-rock, apresentadas por Nico e para sua atmosfera melancólica, e o álbum causou pouco impacto. Mas sua beleza desolada - e o trabalho único e provocador que Nico faria mais tarde com John Cale - fascinou gerações posteriores.


Nico e Lou Reed


Concluindo
Eu sei que estou correndo o sério risco de apanhar aqui, mas, como eu disse em uma das primeiras postagens deste blog, não sou crítica musical e o que eu escrevo aqui é um reflexo das minhas impressões pessoais sobre cada disco. Então, lá vai: na boa, se a Nico pode cantar e gravar um disco, eu também posso.

Digamos que a voz da moça não é das mais bonitas e afinadas de todos os tempos, e algo me diz que se ela não tivesse namorado com meio mundo da cena musical dos anos 60, ela não teria gravado esse disco. Ganha pontos pela autenticidade da sua voz grave e do seu sotaque carregado em uma época em que não existia Pro-Tools ou Auto Tune, mas é só.

A faixa de abertura, "The Fairest Of The Seasons", com um bonito arranjo de cordas, é uma das melhores do disco. "I'll Keep It With Mine", composta por Bob Dylan, também. "It Was A Pleasure Thing", com a microfonia das guitarras usada como efeito sonoro, me irritou um pouco.

Achei o disco um pouco chato. Concordo com a própria Nico quando ela diz que a maldita flauta estragou tudo. Talvez sem a tal da flauta e com mais guitarras, como ela queria, Chelsea Gril seria mais bacana de se ouvir.