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domingo, 6 de novembro de 2011

A Girl Called Dusty | Dusty Springfield (1964)



Dusty Springfield foi uma grande cantora de soul. Acho estranho dizer que ela foi uma cantora branca de soul, mas, levando em consideração o fato de esse gênero musical ser dominado por negros nos anos 60, talvez o surgimento de uma mocinha inglesa loira e educada em colégio de freiras que cantava como as negras tenha causado uma certa comoção, digamos assim. O importante é que Dusty, com sua voz sensual, chegou a emplacar 18 singles na lista Hot 100 da revista Billboard.

Influenciada pelo soul da gravadora Motown, em A Girl Called Dusty, Dusty Springfield mescla baladas pop com músicas das Shirelles e de Dionne Warwick.


O livro diz que:
É significativo que uma artista branca, naquele tempo, tenha regravado essas músicas com o mesmo calor e espírito agudo dos originais, o que ajudou Dusty a se tornar uma das melhores cantoras de soul da Inglaterra (seu respeito pelo R&B e o soul se estendeu a outras áreas - ela foi deportada da África do Sul naquele mesmo ano por tocar para uma platéia sem segragação).




Concluindo
Dusty Springfield, que vozeirão lindo! E que disco gostoso de ouvir!

A Girl Called Dusty tem algumas baladas pop bonitinhas, como "Wishin' And Hopin'", mas é no soul que Dusty se destaca. Não fica devendo em nada para as Shirelles ou Dionne Warwick, de quem fez alguns covers. Apesar de todas as faixas do álbum serem muito boas, nenhuma se compara a "You Don't Own Me". Dusty solta a voz e canta com emoção, fazendo desta música um hino para muitas mulheres. Fica claro que Dusty Springfield não queria ser apenas uma cantora de canções bonitinhas. Mesmo na capa do disco, ela aperece de calças, com uma camisa jeans e o cabelo meio desgrenhado, em uma época em que as mulheres estavam quase sempre de vestido e com os cabelos muito bem arrumados.

Impossível não dizer aqui que se hoje Amy Winehouse e Adele fazem sucesso foi porque Dusty Springfield abriu o caminho.


Faltam 477 dias.
Faltam 956 discos.

Rock'n'Soul | Solomon Burke (1964)



Solomon Burke foi um cantor e compositor de soul, gospel e rock, reconhecido como um dos músicos mais influentes do século XX. Com sua figura colorida e excêntrica, foi um dos grandes personagens do mundo da música popular. Sua voz forte e versátil combina com o fervor do gospel, a gentileza do country e a firmeza do R&B. Tudo isso fez com o Burke ficasse conhecido como "King Solomon", "King Of Rock'n'Soul" ou ainda "Bishop Of Soul" ("Bispo do Soul"), devido à sua ligação com a música gospel.


O livro diz que:
Embora as gravações originais tenham sido oficialmente apagadas, versões repaginadas de Rock'n'Soul aparecem ao longo do álbum lançado por  Burke em 1963, If You Need Me. A masterização e projeto gráfico desses dois discos deixam algo a desejar, mas, juntos, explicitam o período fértil de criatividade vivido por Burke nos anos 60 - embora o filé mignon seja mesmo o brilhante Rock'n'Soul.




Concluindo
Não foi à toa que Solomon Burke ficou conhecido como "King Of Rock'n'Soul". Em Rock'n'Soul ele mistura rock, soul, um pouquinho de country e gospel, e o resultado é muito bom. Dono de uma voz poderosa, acompanhado de uma boa banda e ótimos vocais de apoio, Burke passeia por ritmos diversos sem qualquer dificuldade. Minha favorita das 12 faixas do disco foi a balada "Someone To Love Me".

E, sim, eu já conhecia Solomon Burke. Uma música, mas conhecia! Quer saber de onde?




(Sim, eu gosto de Dirty Dancing. Muito. R.I.P. Patrick Swayze boniton.)


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Olympia 64 | Jacques Brel (1964)



Eu confesso: talvez eu já até tivesse lido em algum lugar por aí que Jacques Brel é o autor da famosa "Ne Me Quitte Pas" (interpretada maravilhosamente pela Maysa), mas não é por causa disso que eu já sabia quem ele era. Foi por causa de uma gravação que o Beirut (uma das minhas bandas favoritas e que, desconfio, não está entre 1001 discos pra ouvir antes de morrer, o que eu particularmente acho um absurdo) fez da música "Le Moribond" para um programa de rádio francês chamado Black Sessions. Gostei tanto que depois até baixei mais algumas músicas do Jacques Brel.






Até agora há pouco, eu pensava que Brel era um cantor francês. Pois descobri que ele era um cantor e compositor belga, que se aventurou também pelo teatro e pelo cinema. Era dono de um apurado sentido de observação, de ironia e de humor, que somado a sua capacidade poética lhe permitiu criar canções que abordam, das mais diversas maneiras, várias realidades do dia-a-dia. É considerado o mestre da chanson moderna, e embora tenha gravado a maioria das suas músicas em francês, influenciou muitos cantores e compositores de língua inglesa, entre eles, David Bowie e Leonard Cohen.

O livro diz que:
No Olympia, ele mora nas canções, vive as histórias, se entregando desde o início, representando as músicas. Não há intervalo entre o drama, a sátira e a paixão. Ele morre muitas e muitas vezes ao longo de 48 minutos; o resto se passa em quartos de doentes, bordéis e bares. Em "Les Toros", ele se transforma em um touro à beira da morte encarando seus torturadores, relacionando essa imagem com Waterloo, a batalha de Verdun e com as guerras contemporâneas em antigas colônias francesas.




Concluindo
É nítido o quanto o público francês do Olympia (algo equivalente ao Carnegie Hall ou o Royal Albert Hall) ama Jacques Brel. São longas ovações após as músicas. E não é pra menos: Brel leva a tradicional chanson francesa a um outro nível. Mais que cantar, ele representa. É taciturno quando a canção é triste; ri e faz vozes diferentes quando a canção é engraçada, e por aí vai. Carrega de emoção cada verso que canta, seja ele sobre amor, sobre uma mulher ou sobre o tempo que passa para dois velhinhos. E acho que é justamente essa entrega de Brel às músicas que canta que leva o público ao delírio: mesmo que você não entenda francês (que é o meu caso, infelizmente), você vive as canções junto com ele. Basta ver este vídeo, em que Brel interpreta "Les Toros", pra entender do que eu estou falando.




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sábado, 5 de novembro de 2011

A Hard Day's Night | The Beatles (1964)


Falar de uma das bandas que você mais gosta deveria ser uma tarefa fácil, né? Pois pra mim não é. Sempre fico com a sensação de que vou falar alguma bobagem. Essa sensação é zilhões de vezes mais forte quando se trata dos Beatles, não apenas porque eu gosto muito deles, mas porque muita gente gosta muito deles, e manja muito sobre eles, então, rola uma insegurança sem tamanho. Mas, como dizia Capitão Nascimento, "Missão dada é missão cumprida". Então, vamos lá!

***************

A Hard Day's Night é a trilha sonora do filme homônimo, que aqui no Brasil tem o nome de Os Reis Do Iê-Iê-Iê (Vocês acham esse título totalmente nada a ver? Pois saibam que em Portugal o nome do filme é Os Quatro Cabeleiras Do Após-Calypso! Uma coisa é fato: nossos irmãos lusitanos foram muuuuuito mais criativos na "tradução".). Foi o primeiro disco dos Beatles a trazer apenas composições da dupla Lennon/McCartney. O resultado disso tudo foi o primeiro lugar nas paradas por 21 semanas. Tá bom pra você?

O livro diz que:
Desde o inconfundível toque da Rickenbacker de 12 cordas de Harrison na abertura da faixa-título, o álbum é uma lição de como tocar guitarra de forma simples, mas superlativa. Consciente dos deslizes cinematográficos cometidos por seu ídolo Elvis, Lennon insistiu para que o filme Os Reis Do Iê-Iê-Iê tivesse qualidade e fosse mais do que "uma obra pop de merda" e o álbum seguiu exatamente o mesmo padrão.




Concluindo
Impossível não gostar de A Hard Day's Night. É o terceiro disco dos Beatles, e é claro que ainda não existe aqui a maturidade de Abbey Road ou Let It Be, mas mesmo assim é muito bom. Difícil achar alguém que não goste da faixa que dá título ao álbum, ou de "I Should Have Known Better", ou de "Can't Buy Me Love". Vai dizer que quando você ouve "If I Fell" não fica pensando naquela pessoa? E que não curte o bolerinho "And I Love Her"?

A Hard Day's Night não é o melhor álbum dos Beatles, mesmo. Acontece que é rock no seu estado mais puro, feito pra agradar a massa, mas nem por isso feito de maneira simplista. Além disso, é um registro do auge da Beatlemania, quando as barreiras entre continentes caíram e o quarteto inglês estourou no mundo inteiro. Foi a primeira de tantas "manias" - algumas boas, outras nem tanto; nenhuma melhor, acredito - que vieram depois. São "detalhes" como estes que fazem de A Hard Day's Night não só um dos 1001 discos para ouvir antes de morrer, mas também um dos discos mais importantes da história da música como um todo.


Faltam 478 dias.
Faltam 959 discos.



P.S.: Juro que tentei escrever um post legal sobre A Hard Day's Night, mas hoje foi um dia cheio. Pra vocês terem uma ideia, esse post foi feito "à prestação", foram várias interrupções, e o que era pra levar cerca de uma hora pra ficar pronto, levou muuuito mais tempo. Pra mim, o texto está bem aquém da qualidade do disco, mas dentro das possibilidades, fiz o melhor que pude. Desculpem se não tiver ficado legal.
P.S. 2: Vontade de jogar Beatles Rock Band!

Getz/Gilberto | Stan Getz And João Gilberto (1963)



Tenho quase certeza que mesmo quem não gosta de bossa nova já ouviu uma música desse disco. Quer apostar?



Bom, quem não for noveleiro, talvez nunca tenha ouvido mesmo nenhuma música deste disco. Mas, ó... devia, viu (ok, ok, a parte das opiniões é mais pra frente, eu sei!)?

Sobre o Stan Getz, já falei aqui. Em 1963, depois do sucesso de Jazz Samba, Getz se reuniu com João Gilberto para gravar Getz/Gilberto. João Gilberto todo mundo sabe quem é, certo? Mais que aquele senhor que canta sempre de terno, com um banquinho e um violão, e que não gosta de celular, cochichos e ar condicionado, ele é "apenas" o pai da bossa nova. Afinal, dizem por aí que foi ele quem inventou a mistura do ritmo sincopado da percussão do samba numa forma simplificada e ao mesmo tempo sofisticada, que pode ser tocada no violão, com a técnica de cantar em um tom uniforme.

O disco conta ainda com a participação de Tom Jobim, não só como compositor da maioria das canções do álbum, mas também tocando piano, e de Astrud Gilberto, mulher de João Gilberto que, até a gravação deste disco, nunca havia cantado profissionalmente.

O livro diz que:
Stan Getz era o único gringo em Getz/Gilberto, acompanhado ao piano por Jobim (que tinha também tocado violão com Getz) e na bateria pelo brasileiro Milton Banana. Mas a verdadeira estrela era o violonista e cantor João Gilberto, o irritadiço purista da bossa nova que, com seu vocal monótono e hesitante e suaves batidas de violão, havia criado o gênero.


João Gilberto, Tom Jobim e Stan Getz

Concluindo
Lembram que lá em cima eu disse que todo mundo deveria ouvir pelo menos "Corcovado (Quiet Night Of Quiet Stars)"? Então, já deu pra ter uma ideia da minha opinião sobre Getz/Gilberto.

Getz, João Gilberto, Jobim e Banana dialogam com verdadeira perfeição. Ainda que não seja apenas "um banquinho e um violão", é a boa e velha bossa nova que nós conhecemos, tão brasileira, tão nossa; não existe aqui a tentativa de que ela seja algo que ela não é, que se transforme em uma vertente nova de jazz.  Mesmo o sax de Getz ganha uma certa "carioquice" e soa leve. Impossível não falar também da voz doce e quase infantil de Astrud Gilberto, que aparece "The Girl From Ipanema" e "Corcovado (Quiet Night Of Quiet Stars)".

Apesar de o grande sucesso do disco ter sido "The Girl From Ipanema", pra mim os destaques ficam por conta de "Doralice" - com toda a malemolência baiana de Caymmi muito bem traduzida por Gilberto, Getz e cia. - e a belíssima "Pra Machucar Meu Coração", de Ary Barroso. 

Termino este post com "The Girl From Ipanema" e uma vontade enorme de sentar numa mesinha à beira-mar e tomar um chopp, assistindo o sol se pôr.





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Faltam 960 discos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Live At The Apollo | James Brown (1963)



Hoje vamos falar de funk aqui no Mil e Um. Se pensou em tchutchucas, popozudas e cachorras, pensou errado. O tema do post de hoje é o Mr. Dynamite, The Hardest Working Man On Show Business, ninguém mais, ninguém menos que... James Brown!

Só pra constar, vou fazer aquela introdução rápida de sempre e dizer que James Brown foi uma das figuras mais influentes da música no século XX. Seu jeito de cantar e dançar deixaram marcas em artistas do mundo inteiro. Ele é conhecido também como o "pai do Funk".

O próprio James Brown financiou a gravação de Live At The Apollo. O disco foi lançado pela King Records a contragosto do dono da gravadora, Syd Nathan, que não botava a menor fé em um disco gravado ao vivo sem nenhuma canção inédita. Brown bancou sua ideia e o álbum contrariou as expectativas negativas de Nathan: ficou nas paradas por 14 meses, atingindo a segunda posição na lista dos mais vendidos.

O livro diz que:
Não há gordura no disco. Brown e o diretor musical Lewis Hamlim ensaiaram a banda até chegar a uma imaculada e feroz precisão; quase não há espaço para o naipe de oito metais tomar fôlego. O grupo detona quatro sucessos num piscar de olhos antes de baixar o tom no gospel da extraordinária "Lost Someone". Quando o show parece se aproximar de um clímax explosivo, Brown embala num medley de nove hits e deixa o palco, voltando para a agitadíssima "Night Train". A platéia responde aos gritos. Ninguém entende porque Nathan achou melhor usar aplausos gravados no disco original.




Concluindo
Quando o apresentador do Apollo Theater anuncia as músicas do set list do Mr. Dynamite, pela empolgação do público já dá pra ter uma ideia do que está por vir.

O disco é quente, do começo ao fim. Mesmo nas baladas mais lentas, James Brown coloca uma pitadinha de sensualidade. É muito, muito bom! Impossível não destacar os vocais de apoio dos The Famous Flames e o excelente naipe de metais. Brown leva a plateia ao delírio em cada uma das faixas do disco. Achei impressionante a maneira como ele carrega "Lost Someone" por mais de 10 minutos sem que a música fique maçante. Poucos artistas no mundo são capazes de fazer algo assim. Mas não foi essa a minha favorita do disco, e sim a balada "I Don't Mind". Linda, linda!

Fica difícil entender a relutância de Syd Nathan em bancar Live At The Apollo, e fácil entender porque o álbum ficou tanto tempo nas paradas. Naquela noite, James Brown incendiou o Apollo. Sorte a nossa esse incêndio ficou eternizado nesse disco!



Faltam 480 dias.
Faltam 961 discos.

The Black Saint And The Sinner Lady | Charles Mingus (1963)



Charles Mingus é mais um dos grandes nomes do jazz, embora suas melodias pouco convencionais não sejam das mais regravadas. Suas composições mantém o ritmo quente do hard bop, além de serem influenciadas pela música gospel negra; às vezes apresentam também elementos do free jazz e da música clássica. Mingus também era famoso por seu temperamento difícil, e por isso ganhou o apelido de "The Angry Man Of Jazz".

The Black Saint And The Sinner consiste em uma única peça de composição contínua - escrito em partes como um ballet - dividido em 4 faixas e 6 movimentos. É descrito como "uma das maiores conquistas em orquestração de qualquer compositor na história do jazz".


O livro diz que:
Desde os primeiros acordes  de "Solo Dancer", escorada pela tuba áspera de Don Butterfield, a música se anuncia como um psicodrama em ebulição. O sax alto de Charlie Mariano chega a incríveis picos de lirismo e intensidade, enquanto o rugir do trombone de Quentin Jackson, ecoado pelos trompetistas Rolf Ericson e Richard Williams, é de uma beleza atordoante. Há também momentos calmos, nos quais a influência flamenca da guitarra de Jay Berliner se envolve num ágil pas de deux com o piano imprevisível de Jaki Bayard. O extraordinário baterista Dannie Richmond, que tocou durante 20 anos com Mingus, é o responsável por manter a unidade da música e conduzí-la adiante.




Concluindo
Então, Charles Mingus... vamos lá.

O disco é interessante no que diz respeito às variações rítmicas, habilidades dos músicos e referências musicais. É uma mistura de blues com jazz com música clássica com flamenco. Deu pra ter uma noção? Pois é, acho que a ideia é parecer meio sem sentido mesmo.

De verdade, acho que meu estado de espírito (parece que fui atropelada por um trem hoje) está influenciando um pouco na resenha de hoje (vou descobrir isso mais tarde quando ouvir James Brown). O fato é que achei o disco do Mingus meio chatinho de ouvir. São trinta e poucos minutos que parecem trezentos e há momentos em que parece que cada músico da banda resolveu tocar num ritmo diferente, e aí juntaram tudo. O nome disso pra mim é barulho, e não música. Foi assim que meus ouvidos - talvez pouco refinados -  entenderam.


Faltam 480 dias.
Faltam 962 discos.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Live At The Harlem Square Club | Sam Cooke (1963)



Sam Cooke é conhecido como o Rei do Soul por suas habilidades vocais e sua influência na música moderna. Foi um dos pioneiros do Soul, e sua contribuição a esse gênero musical trouxe à tona nomes como Aretha Franklin, Al Green, Stevie Wonder e Marvien Gaye (só gente fraca, como vocês podem ver! rs), entre outros, e ainda ajudou a popularizar nomes como Otis Redding e James Brown. Foi também um dos primeiros artistas negros a tomar as rédeas de suas finanças, fundando seu próprio selo e editora. Participou ativamente do movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos. Foi assassinado em 1964, aos 33 anos, em circunstâncias até hoje não muito claras.

O livro diz que:
Confinado a uma melosa civilidade em suas gravações em estúdio direcionadas para o pop, Sam Cooke se reinventou no palco para se transformar em um cantor puro de R&B, exalando sensualidade. Live At The Harlem Square Club ilustra essa transfiguração drástica de forma mais clara do que qualquer outro disco de Cooke - um exorcismo que desenhou uma linha definitiva entre o sagrado e o profano em sua carreira de raízes gospel.




Concluindo
Sam Cooke não é apenas um cantor. É também um belo de um showman. Levanta o público, coloca todo mundo pra cantar junto, e, imagino, pra dançar também. O disco é muito, muito bom. É alegre, é dançante, é divertido, mas, acima de tudo, é sexy. As letras das músicas, o ritmo, a interpretação de Cooke... é tudo muito sensual. Vamos ver se consigo fazer vocês entenderem o que eu quero dizer: sabe aquela cena do filme Dirty Dancing quando a Baby chega no alojamento dos empregados e vê todo mundo dançando de um jeito meio "hot"? Então, foi assim que eu imaginei esse show do Sam Cooke. Hot, hot, hot!



Faltam 481 dias.
Faltam 963 discos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Christmas Gift For You | Phil Spector (1963)



Phil Spector é um produtor e compositor norte-americano. Trabalhou com Ike e Tina Turner, John Lennon, George Harrison, Ramones, entre outros. Foi o criador da técnica conhecida como "Parede de Som", que consiste reunir grupos de músicos com instrumentos que geralmente não são usados em conjunto - como o violão e a guitarra, por exemplo - para tocar partes orquestradas das músicas, muitas vezes duplicando ou triplicando os instrumentos para um som mais cheio.

Spector fez A Christmas Gift For You especialmente porque queria ficar em primeiro lugar na parada de Natal, que havia sido criada em 1963. Acontece que o álbum teve o azar de ser lançado na véspera do assassinato do presidente John Kennedy. Como prova de respeito, Spector recolheu o álbum das lojas, voltando a distribuí-lo apenas em dezembro do mesmo ano. Com o passar do tempo, o disco foi ganhando popularidade e em 1972 foi relançado com o nome de Phil Spector's Christmas Album.

Atualmente, Phil Spector cumpre pena de 16 anos pelo assassinato da atriz Lana Clarkson.




O livro diz que:
Relançado várias vezes por outros selos, este álbum continua sendo para muita gente a melhor coleção de músicas de Natal já reunida. O curioso é que foi gravado durante um mês de agosto sufocante em Los Angeles.




Phil Spector


Concluindo
Sabe aquelas músicas de Natal que são trilha sonora dos filmes de Hollywood? Então, a maioria delas está neste disco. "Santa Claus Is Coming To Town", "Winter Wonderland", "White Christmas" e outras canções natalinas fazem parte de A Christmas Gift For You, só que com uma cara muito mais pop. Talvez por isso o álbum tenha se tornado tão importante.

Confesso que as músicas são gostosinhas de ouvir, mas fora isso, não achei nada demais no disco. Digamos assim: se eu fosse dona de uma loja, com certeza colocaria A Christmas Gift For You pra tocar ao invés daquele enfadonho CD da Simone que toca em todo lugar no final do ano. Talvez não faça muito sentido aqui em terras tupiniquins, mas garanto que as músicas são muito mais animadas que aquele velho "Então é Natal/ E o que você fez...". Deixo aí a versão de "Santa Claus Is Coming To Town" das The Crystals para vocês ouvirem e tirarem suas próprias conclusões!





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The Freewheelin' Bob Dylan | Bob Dylan (1963)



Em 1961, Bob Dylan decidiu largar a faculdade e se mudar para New York, onde seu ídolo Woody Guthrie estava internado para se tratar do Mal de Hutington. Nas várias visitas que fez a Guthrie, Dylan conheceu Jack Elliott. Ambos tiveram grande influência em sua música. Nesta mesma época, começou a tocar em alguns clubes do Greenwich Village, e ganhou certa reputação depois que Robert Shelton escreveu uma resenha sobre ele no The New York Times. Chamou a atenção da gravadora Columbia, e em 1962 lançou seu primeiro disco, Bob Dylan, que vendeu apenas 5 mil cópias e fez com que a gravadora quisesse rescindir seu contrato. O produtor John H. Hammond e Johnny Cash - que havia assinado com a Columbia alguns meses antes - lutaram pra que isso não acontecesse, e assim, em 1963, foi lançado o segundo álbum de Bob Dylan, The Freewheelin' Bob Dylan.

O disco mescla canções de amor com uma lírica irônica e um pouco de blues, além de algumas letras com temática política. É neste álbum que está "Blowin' In The Wind", canção que virou o hino de uma geração, que questionava o status quo social e político da época.


O livro diz que:
O álbum sublinha o compromisso de Dylan com as mudanças sociais (a capa mostra Dylan com sua namorada na época, Suze Rotolo, caminhando por Greenwich Village, onde atraiu atenções pela primeira vez como cantor folk). Uma trilogia de músicas do disco - "Blowin' In The Wind", "A Hard Rain's A-Gonna Fall" e "Masters Of War" - parecia englobar o desejo de mudança de toda uma geração. As três permanecem, em muitos aspectos, como as canções mais duradouras de Dylan, regravadas por artistas de todos os gêneros, incluindo o rap, o reggae e o country.




Concluindo
Se eu desse estrelinhas para cada um dos discos que eu tenho que ouvir (pensei nisso, mas achei a ideia meio besta, pra ser sincera), este receberia uma constelação inteira (ok, foi meio brega a frase, eu sei. Mas deu pra vocês terem uma noção do quanto o disco é bom. Ou não?).

Acho que talvez o sucesso do disco se deva muito à canção "Blowin' In The Wind" que, sim, é linda e, sim, marcou toda uma geração que andava às voltas com a Guerra Fria, a Guerra do Vietnã e a segregação racial nos Estados Unidos e, sim, ainda é hino (até hoje!) dos hippies, neo hippies e pseudo hippies por aí. Mas The Freewheelin' Bob Dylan vai muito além disso. Dylan consegue, com maestria, mesclar canções políticas como "Oxford Town" (que fala sobre o ingresso de um negro em uma universidade, até então, para brancos) e "Talking World War III Blues" com lindas canções de amor como "Don't Think Twice, It's Alright" e "Girl From The North Country", sendo esta última uma das músicas mais lindas que eu já ouvi na vida. A voz, o violão e a gaita de Dylan são o suficientes pra fazer de The Freewheelin' Bob Dylan uma verdadeira obra-prima (sei que é muito clichê dizer isso, mas era "obra-prima" ou "the F-word" pra descrever o disco). É um disco que com certeza ainda vou ouvir muito.





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