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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

With The Beatles | The Beatles



Finalmente uma das minhas bandas favoritas está fazendo sua estreia aqui no Mil e Um!

With The Beatles é o segundo álbum dos rapazes de Liverpool. Foi gravado apenas 4 meses depois do primeiro - Please Please Me - ser lançado, e repetia a mesma fórmula: composições da dupla Lennon/McCartney intercaladas com covers das prediletas do repertório dos Beatles.

Quando o disco foi lançado, os Beatles já tinham alguma popularidade na Inglaterra. O que aconteceu foi que With The Beatles foi o primeiro álbum a vender 1 milhão de cópias no país, ficando no topo das paradas por 21 semanas. Nos Estados Unidos, a maioria das músicas deste disco foi lançada pela Capitol Records no LP Meet The Beatles!, o primeiro deles por lá.

O livro diz que:
Primeiro álbum a vender um milhão de cópias na Grã-Bretanha, With The Beatles cimentou a posição inexpugnável dos Beatles no topo das paradas britânicas. Gravado em seis dias entre julho e outubro de 1963, este é um disco que captura a alma ardente de Liverpool de forma brilhante e sem deixar margem a dúvidas. Embora ainda fosse, fundamentalmente, uma seleção de números ao vivo e canções escritas às pressas, o álbum revelou a confiança depositada pela EMI em seu talento, já que nenhuma faixa foi lançada em single - o que era inédito na época.






Concluindo
Putz, que difícil escrever sobre os Beatles! Fico com a sensação de que tudo que eu disser vai parecer bobo, sabe? Mas... vamos lá.

With The Beatles é apenas o segundo álbum dos Beatles, e pra mim ficou claro como eles já estavam um passo a frente de tudo que havia sido feito no rock até então. É claro que as referências e influências existem e estão presentes no disco, mas a batida, a pegada das músicas é diferente, não dá pra negar.

"Please Mister Postman" é pra cantar junto e dançar. Pra dançar também é o ótimo cover de "Roll Over Beethoven". "All I've Got To Do" é uma das músicas mais intimistas da dupla Lennon/McCartney. O cover de "You Really Got A Hold On Me" (uma das minhas músicas favoritas ever, seja na interpretação dos Beatles, ou de She & Him ou de quem quer que seja) é um clássico. "Till There Was You" tem um jeitinho de bolero que é delicioso. E "Money" fecha o disco com chave de ouro.

Este não é meu disco favorito dos Beatles (sempre fico em dúvida entre Let It Be e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band), mas sem dúvida é um disco fantástico. E se tratando de Beatles, teria como não ser?



Faltam 483 dias.
Faltam 966 discos.

Night Life | Ray Price (1962)



Guitarrista, cantor e compositor de música country, Ray Price é uma das grandes vozes masculinas da música country. Nos anos 60, fez experimentações com o chamado "som de Nashville", cantando baladas mais lentas, utilizando arranjos de cordas e vocais de apoio.

O livro diz que:
O álbum abre com uma fala de Price, descrevendo o que viria a seguir como "músicas sobre felicidade, tristeza e separação". Há muito da última e pouco da primeira. Ninguém deve se iludir com a característica batida dançante de Price - Night Life é a resposta de Nashville a In The Wee Small Hours, de Sinatra.




Concluindo
Pelo tamanho do post até aqui, já dá pra ter uma ideia do quanto eu gostei do disco do Ray Price, né? Fico me perguntando se até o final deste desafio eu vou conseguir ouvir um disco de música country sem me sentir torturada.

Night Life é um disco de dor de cotovelo, mas sem nem 1/10 do glamour de In The Wee Small Hours, do Frank Sinatra. Aliás, Ray Price, pra mim, parece uma mistura de Sinatra com os Louvin Brothers, e o resultado não é bom. Apesar de ter menos de 40 minutos de duração, o disco parece looooongo, de tão arrastadas que as músicas são.




Faltam 483 dias.
Faltam 967 discos.

Jazz Samba | Stan Getz And Charlie Byrd (1962)



Stan Getz, saxofonista norte-americano que tocava jazz, um dos principais responsáveis por difundir a bossa nova pelo mundo. Charlie Byrd, guitarrista norte-americano que melhor compreendeu e tocou música brasileira, em especial a bossa nova.

O ano era 1961. Getz estava de volta aos Estados Unidos depois de uma longa temporada na Europa, para onde havia ido na tentativa de se largar as drogas. Charlie Byrd, por sua vez, voltava de uma turnê pela América do Sul carregado de fitas de música brasileira, que saiu distribuindo aos amigos. Foi nesse contexto que surgiu Jazz Samba, o primeiro grande disco de bossa nova na cena do jazz nos Estados Unidos. Foi o começo da febre da bossa nova no país, que teve seu pico em meados dos anos 60. Jazz Samba foi um sucesso, e a versão de Getz e Byrd para "Samba De Uma Nota Só" ganhou o Grammy em 1963.

O livro diz que:
Gravado numa única sessão em uma igreja em Washington DC, o álbum é uma maravilhosa mistura de swing e samba, com o sax de Getz emendando uma faixa na outra. Uma estrela do jazz no final dos anos 40, o saxofonista teve problemas com drogas e havia acabado de voltar aos Estados Unidos, depois de muitos anos na Europa, quando "Desafinado" virou um hit galopante. O sucesso do disco e as cada vez mais populares gravações de bossa nova de Getz com João e Astrud Gilberto transformaram o gênero brasileiro numa força comercial, numa época em que a energia inicial do rock'n'roll havia se dissipado em um pop descartável, e os Beatles ainda estavam plantando as sementes de sua música em Hamburgo.


Stan Getz, Joe Byrd e Charlie Byrd



Concluindo
É inegável o talento de Stan Getz e de Charlie Byrd. O sax de Getz parece ter sido feito na medida certa para a bossa nova, e o violão de Byrd às vezes tem um quê de cigano que dá um tempero todo especial à música.

Maaaaaas...

Não achei Jazz Samba tão bom assim. Acho que talvez tenha sido porque a bateria me irritou um pouco. Ela soa como um sintetizador em todas as músicas, e isso me incomodou bastante. Talvez se fosse apenas o sax de Getz e o violão de Byrd, eu tivesse gostado mais. A música que mais gostei do disco foi "Samba Dees Days", que foi composta pelo próprio Charlie Byrd e onde a mistura entre jazz e samba parece fazer sentido, afinal.

O disco conta com versões instrumentais de "Desafinado", "Samba De Uma Nota Só" e "O Pato", todas músicas que eu adoro, mas que aqui não curti tanto. Para os meus não tão apurados ouvidos, soa como samba pra gringo ouvir. Meio artificial, sabe?

E já que falei de "O Pato", resolvi terminar este post de maneira divertida, com uma tirinha do meu amigo Cayo Cândido Rosa, dono do blog Iudú. Vale muito a pena ler as tirinhas do Cayo, sempre com uma visão interessante e divertida de situações do cotidiano. Espero que curtam tanto quanto eu!





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Faltam 968 discos.

Green Onions | Booker T. And The M.G.s (1962)



Booker T. And The M.G.s era a banda da casa da Stax Records, que tocou com músicos como Otis Redding, Bill Withers e Wilson Pickett, entre outros. Um belo dia, o presidente da Stax, Jim Stewart ouviu os garotos da banda tocando de improviso durante um intervalo, e decidiu apertar o REC. Gostou tanto do resultado final que decidiu lançar um single dos rapazes, com a música "Behave Yourself" no lado A e "Green Onions" no lado B. O single foi para o topo das paradas e vendeu mais de um milhão de cópias. Depois deste sucesso estrondoso, a gravadora resolveu apostar naquela que até então era sua banda de apoio. Assim surgiu o disco Green Onions.

O resultado disso tudo é que Booker T. And The M.G.s acabou se tornando uma das bandas mais populares dos anos 60 e 70, e também uma das mais imitadas. Em meados dos anos 60, bandas dos dois lados do Atlântico tentavam emular o som que ficou conhecido como Memphis Soul.


O livro diz que:
Em 1962, as faixas curtas e sem enfeites de Green Onions soavam muito cool, com as linhas melódicas da guitarra de Cropper cortando os acordes açucarados de Booker. Green Onions é um álbum verdadeiramente seminal: o vigor ingênuo e a fusão rock-soul iriam inspirar The Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd e toda uma geração do blues-rock do Sul.




Concluindo
Eis que o órgão Hammond volta a dar as caras por aqui. Só que agora um pouco menos e jazz e muito mais blues e rock'n'roll. Assim é Green Onions.

Há músicas pra dançar, como "Twist And Shout" e "Comin' Home Baby". Há o blues de "Rinky-Dink". E há "Mo'Onions", pra mim a melhor faixa do disco (e que eu tenho certeza que já ouvi na trilha sonora de algum filme, mas não lembro de jeito nenhum qual é!).

Além do órgão de Booker T., o destaque fica por conta também da Fender Telecaster de Steve Cropper. O solo em "Behave Yourself" é incrível. Booker T. And The M.G.s faz uma deliciosa mistura de blues, jazz, rock e soul. Não é à toa que tanta gente tentou imitar esse som!


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domingo, 30 de outubro de 2011

Modern Sounds In Country And Western Music | Ray Charles (1962)



Depois da fama que ganhou com sua fusão de blues com gospel e jazz em trabalhos anteriores, Ray Charles decidiu experimentar com a música country. Quando anunciou sua ideia aos colegas e executivos da gravadora com a qual tinha contrato - em pleno período de segregação racial nos Estados Unidos - recebeu uma enxurrada de comentários negativos. Para ele, o conceito de um disco calcado na música country era muito mais um teste do respeito e da confiança que sua gravadora tinha nele que um teste de tolerância entre ouvintes de country e rythm and blues de raças distintas.

Apesar de todas as questões raciais e sociais do country (música de brancos) e do R&B (música de negros) na época, Ray Charles não concordava com as ideias de "discos de raças" e outros gêneros, incluindo o pop e o country, como essencialmente diferentes. Em uma entrevista para a revista Rolling Stone, falou das semelhanças entre o blues e o country:

          "As letras de música country são bem parecidas com blues, você vê, bem pra baixo. Eles não estão tão bem vestidos, e as pessoas são bem honestas e dizem 'Olha, benzinho, senti sua falta, então eu saí e enchi a cara num bar'. Assim é que se diz. Enquanto no Tin Pan Alley dirão 'Oh, senti sua falta, querida, então fui a um restaurante e pedi jantar para um'. Está mais arrumado agora, percebe? Mas músicas country e o blues são assim".

O resultado disso tudo é Modern Sounds In Country And Western Music, um álbum sobre coração partido, perda, e cheio de baladas, que é considerado até hoje o melhor disco de estúdio de Ray Charles.


O livro diz que:
Nenhum disco antes de Modern Sounds... - e muito poucos, depois - misturou soul e sentimentalismo de forma tão eficiente. Nota-se a maneira como a voz sofrida de Charles rebate o coro tradicional de "I Can't Stop Loving You", de Gibson, lançada com relutância em single. Charles fez o disco contra a vontade da gravadora, pois queria que o álbum fosse tratado como um trabalho coeso, mas o single acabou vendendo um milhão de cópias. A dor que transparece em sua voz é irrestrita na perene "Born To Lose", mas o bom de Charles é que ele não explora isso à exaustão. Quase sussurra o tempo inteiro em "I Love You So Much It Hurts", de Floyd Tillman, mas trata "Just A Little Lovin'", de Eddy Arnold, como um flerte casual, com uma afinadíssima seção rítmica acrescentando um certo atrevimento ao que era, na gravação de Arnold, pouco mais do que uma piscadela para alguém do outro lado da pista de dança.




Concluindo
Como imaginar que um encontro entre a música country e o soul poderia dar certo? Só um gênio seria capaz de algo assim. Preciso dizer de novo que Ray Charles é um gênio?

O que tinha tudo pra ser a pura dor-de-cotovelo (de certa forma é, nos temas das canções) é um disco lindo, delicioso de ouvir, excelente do começo ao fim. As baladas country no soul de Ray Charles tocam fundo no coração, mas não de uma maneira que te faça chorar pelo amor perdido, muito pelo contrário.

O curioso é que talvez eu não gostasse dessas canções se as escutasse na sua "forma original", digamos assim. Quem acompanha o blog já deve ter notado que eu e o country não temos uma relação muito boa. Mas na voz de Ray Charles, tudo fica mais bonito. "I Love You So Much It Hurts" é tão linda que, como o próprio título diz, chega a doer. "Careless Love" é uma declaração de amor e tanto. E se "Just A Litlle Lovin'" é "um flerte casual", como diz o livro, "Hey Good Lookin'" já "chega chegando", arrastando o par pra pista de dança.

Apesar de tudo isso, o destaque pra mim - por motivos unicamente pessoais, que fique claro - fica por conta da belíssima "You Don't Know Me". Esta sem dúvida é uma das músicas que entraria no disco The Life Of Vivi's - Original Motion Picture Soundtrack, sabe? Tanto que é com ela que termino este post.





Faltam 484 dias.
Faltam 970 discos.

sábado, 29 de outubro de 2011

Sunday At The Village Vanguard | Bill Evans (1961)


Bill Evans já apareceu antes aqui neste blog. Se você não está lembrado, era ele um dos pianistas que tocou  com Miles Davis em Kind of Blue, que foi uma das parcerias mais frutíferas do jazz. Após tocar com Miles e sua banda por oito meses, Evans deixou o sexteto, pois tinha vontade de trabalhar em projetos próprios, além de ter problemas com drogas e desentendimentos com outros membros do grupo.

De qualquer forma, Bill Evans é considerado até hoje um dos importantes músicos da história do jazz. Com suas interpretações inventivas do repertório tradicional e suas linhas melódicas sincopadas e polirrítmicas, influenciou toda uma geração de pianistas, entre eles, Herbie Hancock e Keith Jarrett.

Um fato curioso sobre Sunday At The Village Vanguard: o baixista Scott LaFaro morreu em um acidente de carro apenas 10 dias depois da gravação do disco. Coincidência ou não, as músicas do set que o trio de Evans tocou no dia 25 de junho de 1961 no Village Vanguard haviam sido escolhidas de forma que o talento de LaFaro pudesse ser ressaltado, e tanto a faixa que abre o disco ("Gloria's Step") como a que o fecha ("Jade Visions") são de autoria dele.

O livro diz que:
Na época em que Evans decidiu gravar os concertos no Village Vanguard, em junho de 1961, o trio havia alcançado um nível de comunicação quase telepático. A proposta altamente interativa desenvolvida pelos músicos eliminava as fronteiras entre acompanhantes e solistas, introduzindo novas possibilidades para os pequenos grupos de jazz. Cada música pode ser ouvida inúmeras vezes, mas "Gloria's Step" continua surpreendente, enquanto a integração entre os instrumentos em "Alice In Wonderland" se situa entre os maiores feitos do jazz.


Scott LaFaro, Bill Evans e Paul Motian


Concluindo
Bom, eu estou na praia. Digamos que jazz não combina muito com praia. Some-se isso a um pouco de preguiça, e, bem, quase pulei um dia de desafio.

Foi então que eu comecei a ouvir Sunday At The Village Vanguard e "Gloria's Step" me conquistou logo de cara, como todas as outras faixas do disco me conquistariam depois. O álbum é muito bom. Os instrumentos parecem dialogar entre si. É simplesmente fantástico.

Sei que o disco é do Bill Evans, mas o destaque fica mesmo por conta de Scott LaFaro e seu baixo. A maioria dos solos é dele, e que solos! Uma pena que LaFaro tenha morrido tão cedo, pois era muito talentoso, não só como músico, mas também como compositor.


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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Muddy Waters At Newport | Muddy Waters (1960)



Há quem diga que a ideia da criação da guitarra elétrica foi dele. Há quem diga também que ele teve uma influência enorme no blues, no rythm & blues, no rock, no folk, no country...

No final dos anos 50, Muddy Waters deu um novo approach ao blues, com uma banda composta por uma guitarra amplificada, harmônica (a gaitinha...), piano e bateria. Nascia assim o Chicago Blues moderno. Com sua voz profunda, personalidade carismática e o acompanhamento de excelentes músicos, Waters se tornou a figura mais famosa dessa vertente do blues. B.B. King costumava chamá-lo de "Chefe de Chicago".

São do final dos anos 50 e começo dos 60 as melhores gravações de Muddy Waters. Muitas das canções desta época se tornaram verdadeiros clássicos, como "Hoochie Coochie Man", "I've Got My Mojo Working" e "She's Nineteen Years Old", e ganharam versões de várias bandas em estilos variados.

O livro diz que:
Se este álbum apenas representasse o momento em que o blues ao vivo foi convidado a entrar nos lares da classe média, deveria ser lembrado. Se fosse somente o disco que moldou o gosto de Jimmy Page e Eric Clapton pelo som urbano dos Estados Unidos, seria um marco. Mas, depois de 45 anos de vendas consistentes, Muddy Waters At Newport é, em sua essência, o testamento do magnetismo e do sentimento do melhor do blues em estado puro.




Concluindo
Não tenho muito o que falar sobre Muddy Waters At Newport. O disco é excelente? É. Tem motivos de sobra pra ser um dos 1001 discos pra ouvir antes de morrer? Tem. Simples assim. Ou talvez nem tanto.

Seja no clássico "Hoochie Coochie Man" (que tem uma ótima versão do Eric Clapton, aliás), ou na dançante "Tiger In Your Tank", ou no poema "Goodbye Newport Blues", Waters e sua banda mandam muito bem. É uma pena que seja um disco tão curtinho, de apenas 32 minutos. Porque, sinceramente, eu ouviria o blues de Muddy Waters por hoooras, sem reclamar. 




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Back At The Chicken Shack | Jimmy Smith (1960)



Era uma vez um rapaz chamado Jimmy Smith que resolveu comprar um órgão Hammond B-3, que era um instrumento muito característico das igrejas nos Estados Unidos. Jimmy alugou um galpão, e lá ficou por cerca de um ano, somente com seu órgão e sua música. Quando ele finalmente saiu de lá, havia criado um som novo, que revolucionou totalmente a maneira como o tal órgão Hammond B-3 era tocado. Foi assim que nasceu o Soul Jazz, que fez com que Smith fosse chamado de "O Incrível" pela indústria musical nos anos 60.

O livro diz que:
Back At The Chicken Shack é, sem dúvida, o melhor álbum de Smith, com um balanço incansável, harmonicamente sofisticado e autêntico. Gravado em 25 de abril de 1960, o disco revelou o saxofonista Stanley Turrentine, mas também foram cruciais as contribuições da guitarra elegante e econômica de Kenny Burrell e da bateria irresistível de Donald Bailey.




Concluindo
Primeiro, preciso dizer que adorei o nome desse disco e a foto da capa. O curioso é que embora se chame Back At The Chicken Shack (De Volta Ao Galinheiro), achei o som que Jimmy Smith mostra neste álbum algo totalmente sofisticado. Existe um certo minimalismo nas músicas, nada é exagerado demais, alto demais, enfim, nada é demais. O único exagero é o talento de Smith no órgão e de Turrentine no saxofone.

Back On The Chicken Shack é um disco gostoso de se ouvir. Não sei se me expresso bem aqui, mas acho que chega a ser elegante, justamente pela falta de exageros, solos longos ou altos demais. Jimmy Smith já ganharia pontos comigo de qualquer forma, pois pegar um instrumento que era usado apenas nas igrejas, subverter totalmente a forma como ele é tocado e ainda criar um novo estilo musical em cima disso não é pra qualquer um.



Faltam 486 dias.
Faltam 973 discos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Date With The Everly Brothers | The Everly Brothers (1960)



A dupla formada pelos irmãos Don e Phil Everly foi um dos mais importantes grupos (uma dupla pode ser um grupo? Hum...) de rock da história da música. Com suas canções leves, calcadas no violão e nas harmonias vocais, fizeram uma ponte entre a música country e o rock'n'roll, agradando aos fãs de ambos. O estilo harmonioso de cantar dos Everly influenciou muitas bandas dos anos 60.

O livro diz que:
... a harmonia dos Everly emprestava frescor às músicas mais batidas. E mais: os compositores favoritos deles, o casal Boudleaux e Felice Bryant, ofereceram aos irmãos apenas cinco canções, e Don e Phil, que pouco haviam contribuído para o álbum anterior, foram pressionados a pôr mãos à obra. Em duas semanas, eles tinham 12 músicas características dos Everly ("Love Hurts", "Made To Love", "Stick With Me Baby") que ficaram nas paradas durante meses. Se tivessem esperado até o final do ano, seria ainda melhor: já estariam prontas as faixas "Temptation", "Ebony Eyes" e "Walk Right Back".




Concluindo
Juro que eu gelei quando vi The Everly Brothers escrito no livro. Já estava esperando algo no estilo dos Louvin Brothers, e tudo o que eu não precisava hoje era isso.

Não, A Date With The Everly Brothers não é nem parecido com Tragic Songs Of Life. Ufa! Maaaaaas...

Digamos que - na minha humilde opinião - não se trata assim de nenhuma pérola musical. Dá pra ouvir sem querer que acabe logo, mas, sinceramente, fora os vocais que influenciaram muita gente nos anos 60 (inclusive os Beatles, porque o jeito de cantar é bem parecido), não vejo nada demais. As 12 faixas soam pra mim como música de bailinho. Sabe, aqueles bailinhos dos anos 60 que a gente vê nos filmes e seriados? Pois é, bem por aí.


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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Miriam Makeba | Miriam Makeba (1960)



Talvez você pense que não conhece Miriam Makeba. Mas é bem provável que essa música você já tenha escutado:



A sul-africana Miriam Makeba, também conhecida como Mama África, além de cantora foi também uma ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid. Começou sua carreira nos anos 50, interpretando uma mistura de blues com ritmos tradicionais em grupos vocais na África do Sul. Embora vendesse muitos discos, recebia muito pouco, o que fez com que tivesse vontade de emigrar para os Estados Unidos, onde poderia atuar profissionalmente como cantora. Em 1960, participou do documentário Come Back, Africa, e compareceu à apresentação do mesmo no Festival de Veneza. A recepção calorosa que teve na Europa e as péssimas condições que enfrentava na África do Sul fizeram com que ela decidisse não regressar ao país. Miriam foi então para Londres, onde se encontrou com o cantor e ator negro norte-americano Harry Belafonte, que acabou se tornando o grande responsável pela entrada de Makeba no mercado americano.

Neste mesmo ano foi lançado Miriam Makeba, seu disco de estreia. Miriam Makeba foi a primeira artista a popularizar a música africana pelo mundo.

O livro diz que:
Respaldado na calorosa recepção que ela teve quando se apresentou no Village Vanguard, em Nova York, Miriam Makeba apresenta a cantora de 28 anos confiante em sua entrada no palco mundial. Aos ouvidos ocidentais, muito da magia do álbum está nos timbres "exóticos" de seus "estalos" na língua xhosa em belezas afro-pop como "The Click Song" e na melodia alegre de "Mbube" (com a participação do The Chad Mitchell Trio). A revista Time logo se interessou por esse casamento de ritmos autênticos africanos com o pop ocidental, saudando Makeba como "o mais excitante talento de cantora que surgiu em muitos anos". Mas o álbum não conseguiu traduzir o aplauso da crítica em vendas e a gravadora desistiu de renovar seu contrato. Na verdade, poemas pop ("The Naughty Little Flea") e clássicos do folk ("House Of The Rising Sun") foram feitos sob medida para virar um sucesso sem fronteiras, mas baladas nativas como "Umhome" eram muito africanas para ser plenamente apreciadas pelo grande público.




Concluindo
Até hoje eu só conhecia a Miriam Makeba de "Pata Pata". Que delícia descobrir a Makeba que canta jazz em "Where Does It Lead", ou a Makeba espirituosa de "The Naughty Flea"! Agora, eu gostei mesmo é da Miriam Makeba que compôs e canta lindamente "Umhome" e "Nomeva" em xhosa. Não posso deixar de comentar aqui sobre a divertida "One More Dance", em que ela divide os vocais com um Charles Coleman, que mais ri do que canta.

Miriam Makeba é dona de uma voz poderosíssima. Não consigo imaginar algo que não case com essa voz. Seja nas músicas africanas, seja naquelas em que o jazz predomina, tudo que ela canta soa lindo.

Termino o post com a canção "Mbube" pra você escutar e ver se algo lhe soa familiar (mas tem que ouvir a música toda, só um pedacinho não vai adiantar):





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Faltam 975 discos.

Elvis is Back | Elvis Presley (1960)



Após dois anos servindo o Exército, o Sargento Presley estava de volta. A RCA estava desesperada por um novo disco de Elvis e os executivos da gravadora estavam receosos de que ele não desse mais conta do recado depois do tempo que passou de farda.

Os resultados das sessões de gravação superaram - e muito - as expectativas. Elvis e sua banda foram muito além do rock'n'roll dos anos 50, misturando doo-wop, blues e até um pouquinho de jazz. Os resultados foram um novo tipo de som, com uma seleção variada de canções, mais voltada à música pop.

Tudo isso culminou em Elvis Is Back, disco que marcou toda uma década e que o próprio Elvis dizia ser um de seus favoritos.

O livro diz que:
... naquela noite, o Memphis Flash veio à tona, tão excitante e excitado como na época de suas primeiras sessões de gravação na Sun. Quanto mais tocavam, mais soltos e selvagens ficavam. Gravaram pop ("The Girl Of My Best Friend"), tangenciaram a ópera ("It's Now Or Never"), tocaram fogo ("Fever" e "Are You Lonesome Tonight") e, por fim, liberaram a luxúria ("Such A Night", "Like a Baby" e "Reconsider Baby"). Doze faixas foram incluídas neste álbum. As outras músicas gravadas nessas sessões foram lançadas com grande êxito como singles. Nove anos se passariam até Elvis conseguir tamanha liberdade novamente.




Concluindo
Este disco não poderia ter um nome melhor. Elvis está de volta, e voltou com tudo. Não é um álbum onde estão seus hits mais manjados, mas todas as músicas são boas. Sim, eu disse todas

Elvis coloca pimenta em algumas das 12 faixas do disco. Difícil resistir ao apelo de "It Feels So Right" ("Step in these arms, where you belong/ It feels so right, so right/ How can it be wrong?"), um ótimo blues, aliás. Embora o álbum tenha canções pop, pra mim é nas "apimentadas" que Presley se destaca. "Reconsider Baby" é simplesmente irresistível, é pura luxúria, como o livro diz. Há ainda uma versão de "Fever", um jazz que encaixa perfeitamente na voz de Elvis, exalando sensualidade, muito mais que na conhecida versão de Peggy Lee.




Elvis Is Back definitivamente deve ter mexido muito com o imaginário feminino da época...



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Faltam 976 discos.

Joan Baez | Joan Baez (1960)



Alguém aí lembra de uma cena em Forrest Gump em que a Jenny diz que queria ser como a Joan Baez? Eu lembro.

Aos 18 anos, Baez foi a grande revelação do Newport Folk Festival. Recebeu uma proposta da gravadora Columbia, mas preferiu assinar com o selo independente Vanguard, por acreditar que teria mais liberdade criativa. Em 1960 lançou seu álbum de estreia, com tradicionais baladas folk, blues e lamentos, além de algumas canções infantis da época, todas interpretadas apenas com voz e violão. Apesar da falta de cordas, metais e vocais de apoio, o álbum foi bem recebido pelo público e chegou a ganhar um disco de ouro.

Em 1983, Joan Baez contou à revista Rolling Stone como foi a gravação de seu primeiro disco:

          "Levou quatro dias. Nós gravamos no salão de baile de algum hotel em New York, próximo ao rio. Nós podíamos usar o espaço todos os dias, exceto às terças, porque havia bingo às terças. Era apenas eu sobre um tapete imundo. Haviam dois microfones, um para a voz e um para o violão. Eu apenas toquei o meu set. Era provavelmente tudo o que eu sabia fazer na época. Toquei 'Mary Hamilton' uma vez e foi só... Era assim que fazíamos nos velhos tempos. Desde que um cachorro não corresse pelo salão ou algo assim, estava tudo certo".

O livro diz que:
Este álbum de estreia da cantora, aos 20 anos, consiste de músicas tradicionais, incluindo várias baladas da Inglaterra e dos Estados Unidos - com destaque para Wildwood Flowers" e "House Of The Rising Sun", que serviram como vitrine para a voz vibrante e clara de Baez. Embora ainda não estivesse na linha de frente dos movimentos de protesto, a força, a coragem e a paixão da cantora já aparecem neste álbum inicial, que teve importante papel na revitalização da música folk para as novas gerações.




Concluindo
Não vou mentir: tudo o que eu conhecia da Joan Baez até hoje era uma gravação de "Blowin' In The Wind", que faz parte da trilha sonora do... Forrest Gump! Ok, prometo que não vou mais falar deste filme neste post.

Este disco é mais uma prova de que coisas muito simples podem dar muito certo (como foi o do Jack Elliott).  Não é necessário muito mais do que um violão e a linda voz de Baez pra fazer esse disco funcionar. A versão dela para "House Of The Rising Sun" é a mais bonita que já ouvi. Por incrível que pareça, é singela e forte ao mesmo tempo, como todas as outras faixas do álbum. 

Pra mim, o destaque fica por conta de "El Preso Numero Nueve", canção popular mexicana que Joan interpreta num espanhol perfeito e carregado de emoção, pra Chavela Vargas nenhuma botar defeito.



Faltam 488 dias.
Faltam 977 discos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Time Out | The Dave Brubeck Quartet (1959)



Você pode até pensar que não conhece The Dave Brubeck Quartet, mas tenho quase certeza que já ouviu a música "Take Five" em algum comercial ou programa de televisão.





O quarteto formado em 1951 por Dave Brubeck ganhou notoriedade tocando em universidades, lançando uma série de álbuns com títulos como Jazz Goes To College e Jazz Goes To Junior College. Depois de trocar inúmeras vezes de baixista e baterista, em 1958 o quarteto assumiu sua formação clássica: Brubeck no piano, Paul Desmond no saxofone, Joe Morello na bateria e Eugene Wright no baixo. No ano seguinte, em uma antiga igreja transformada em estúdio pela Columbia, gravaram Time Out.

Composto apenas por músicas originais, com a particularidade de nenhuma delas ser marcada pela métrica habitual, o disco quase não foi lançado. Todos os executivos da Columbia torceram o nariz, salvo pelo presidente da gravadora, Goddard Lieberson (manda quem pode, obedece quem tem juízo! Rá!). Dave Brubeck disse o seguinte sobre o episódio:

          "Quebrei três leis da Columbia. Todas as sete faixas eram composições originais, quando a gravadora gostava de entremear com standards. Queriam também músicas que fizessem as pessoas dançarem e eu lhes dei todos aqueles compassos esquisitos. Colocaram uma pintura na capa do LP, coisa que nunca se fazia com um disco de jazz. Obviamente, a companhia não queria lançar o álbum".

Apesar de não ter sido um sucesso de crítica na época, o som inovador de Time Out teve ótimas vendas e recebeu disco de platina.

O livro diz que:
Na faixa "Take Five", concebida previamente no compasso 5/4, pouco apropriado ao swing, o pianista se mantém num improviso percussivo permanente, enquanto o sax alto de Paul Desmond navega em uma linha sinuosa. Muitas vezes, Brubeck não é a estrela do trabalho. Poucos se lembram que Desmond - que, com seu estilo seco, teve um papel importante no sucesso do quarteto - é o autor deste inesquecível hit. Da mesma forma, é fundamental a bateria segura de Joe Morello e a solidez do baixo de Eugene Wright, que transformaram um material difícil como "Blue Rondo À La Turk", no compasso 9/8, e "Three To Get Ready", que oscila entre 3/4 e 4/4, em uma matéria-prima fundamental do jazz. É bom lembrar que, nessa época, John Coltrane, Cecil Taylor e Ornette Coleman estavam abrindo os caminhos do free jazz.




Concluindo
Imagine Mozart tocando jazz. Tenho certeza que o resultado seria bem parecido - senão igual - a "Blue Rondo À La Turk". Embora seja um disco de jazz, senti bastante uma certa influência da música erudita em Time Out. Além de "Blue Rondo À La Turk", ela também aparece em "Three To Get Ready".

O jazz de Brubeck e seu quarteto é fantástico. São quatro excelentes músicos, mas, acho que mais que o piano de Dave, é o sax de Paul Desmond que faz a diferença. Depois de ouvir tantos discos de jazz nos últimos dias, ficou claro pra mim o quanto os "compassos esquisitos" de Dave Burbeck são inovadores. "Take Five" é uma daquelas músicas pra deixar no repeat até cansar; não é à toa que já foi trilha sonora de tanta coisa.

Enfim, se tivesse que resumir Time Out em apenas uma palavra, pode ter certeza que seria genial.



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